ANDRE DUSEK|ESTADÃO
ANDRE DUSEK|ESTADÃO

Relator da CPI dos Fundos deve pedir indiciamento de presidente do TrendBank

Deputado Sérgio de Souza afirma ter ficado claro que instituição fez aplicações incorreta de recursos de fundos de previdência complementar de funcionários da Petrobrás e dos Correios

Erich Decat e Julia Lindner, Estadão Conteúdo

16 de fevereiro de 2016 | 18h56

BRASÍLIA - O relator da CPI do Fundos de Pensão, deputado Sérgio de Souza (PMDB-PR), informou nesta terça-feira, 16, que deverá incluir em seu parecer final o pedido de indiciamento do presidente do TrendBank, Adolpho Mello.

"Provavelmente ao final esse será um dos que a CPI indiciará e encaminhará à Justiça para adoção das medidas cabíveis", ressaltou Souza após deixar a sessão realizada pela CPI, em que Mello prestou depoimento. "A Trendbank é um dos fundos de investimentos que geraram prejuízos substanciais aos fundos de pensão. No caso da Postalis (dos funcionários dos Correios) e da Petros (dos funcionários da Petrobrás) algo que ultrapassa os R$ 42 milhões, sem falar no lucro prometido que foi zero", ressaltou o relator.

A Trendbank é suspeita de ter feito aplicações incorretas e realizado malversação de recursos financeiros dos fundos de previdência complementar. "Ficou claro que a diretoria da Trendbank participou efetivamente de uma fraude", afirmou o relator durante a sessão na CPI. "Ao final, tanto a Petros quanto a Postalis tiveram um prejuízo que não tem como recuperar porque não tem garantia. Não foi feito pela Trendbank o devido suporte documental para dar a garantia", afirmou o deputado Sérgio de Souza.

Durante o depoimento realizado na CPI dos Fundos de Pensão, o presidente do Trendbank, Adolpho Mello, negou que tenha havido falha técnica na análise de risco dos contratos de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) feitos pelo Petros e pelo Postalis junto à empresa.

“Se as documentações sobre os títulos tivessem qualquer tipo de falha, nós teríamos observado em auditorias que são feitas mensalmente. Se houvesse falhas, o Deutsche Bank e o Santander (custodiantes do investimento) não teriam liberado os recursos”, afirmou Adolpho Mello.

Vaccari. Durante a Operação Lava Jato, a Polícia Federal encontrou em computadores de pessoas ligadas ao doleiro Alberto Youssef mensagens que fazem referências ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Netto, em uma aplicação de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, feita em 2012, no fundo de crédito Trendbank.

Durante a sessão, Adolfo Mello também negou ter tido qualquer contato com o ex-tesoureiro do PT. "Não conheço. Nunca vi. Só fiquei sabendo do Vaccari pelos jornais. Até então, não sabia nem que ele existia", disse Mello. O ex-tesoureiro do PT participou de sessão da CPI no último dia 3, ocasião em que permaneceu calado.

Além do depoimento do dono da Trendbank, também estava prevista para esta terça-feira a oitiva do sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema da Petrobrás. Sobrinho não compareceu. Antes do início da sessão foi apresentada como justificativa para a sua ausência um atestado de óbito da irmã.

Prorrogação. Os trabalhos na CPI devem ser retomados na próxima quinta-feira (18), quando deverá ser apresentado um requerimento com pedido de prorrogação das atividades por mais 60 dias. Inicialmente, o prazo para a votação do relatório final se encerra em 19 de março.

"Eu acredito que tecnicamente os argumentos da CPI são plausíveis e justificam a prorrogação. Se o governo se posicionar contrário é por critério político, com medo de chegar a figuras como os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Edinho Silva (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), o ex-ministro Carlos Gabas, entre outros, que começam a aparecer nas investigações", afirmou o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB).

Na próxima sessão do colegiado também está prevista a votação de requerimento de convocação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. O ministro entrou na mira da CPI dos Fundos de Pensão após o jornal "O Estado de S. Paulo" divulgar mensagens de celular nas quais ele supostamente atua na Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, para favorecer a OAS. Na época, Wagner era governador da Bahia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.