Relator da CPI do Cachoeira retira proposta de indiciar jornalistas e Gurgel

Cunha afirma que está disposto a retirar o ‘secundário’, desde que partidos aprovem o ‘essencial’

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

27 de novembro de 2012 | 22h28

BRASÍLIA - Na tentativa de aprovar o relatório final da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) recuou e apresentou nesta terça-feira, 27, formalmente à bancada governista proposta para retirar do texto o pedido de indiciamento de cinco jornalistas - entre eles, Policarpo Júnior, redator-chefe da revista Veja - e a sugestão para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Cunha classificou esses dois itens de “secundários” e “acessórios” e, por isso, passíveis de saírem do relatório.

“Se os partidos se comprometeram a aprovar o essencial, estou disposto a retirar o secundário. O encaminhamento do procurador-geral para o conselho e o indiciamento dos jornalistas é irrelevante; não é uma questão central. Se o procurador e os jornalistas são elementos que criam obstáculos à aprovação do relatório, abro mão deles”, afirmou.

No lugar de pedir o indiciamento dos jornalistas, Cunha deverá solicitar que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre as relações deles com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O relator se reuniu ontem com os integrantes da bancada aliada que integram a CPI e apresentou a proposta de retirada dos itens considerados polêmicos. O PMDB não aceita nem o indiciamento dos jornalistas nem o encaminhamento de Gurgel para o conselho.

Com mais de cinco mil páginas, o relatório de Cunha foi mal recebido pelos integrantes da CPI, que ameaçam derrubar todo o texto. Além dos jornalistas e de Gurgel, outro ponto polêmico foi o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Os aliados são contra, mas, por enquanto, nenhum partido pediu a retirada do indiciamento do empresário. A integrantes da CPI, Cunha confidenciou que não vai retirar espontaneamente Cavendish do relatório.

Nesta quarta-feira, 28, Cunha pretende ler o resumo de 300 páginas com as conclusões da CPI. Ele propôs indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em seis crimes. O PSDB acusou o relator de ser parcial por deixar de fora o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). “A situação do Marconi é idêntica a do Agnelo”, disse o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). “Não foi comprovado que o Agnelo sucumbiu aos interesses da organização criminosa do Cachoeira.

No caso do Perillo há encontros dele com o contraventor e até possível entrega de dinheiro”, rebateu Cunha.

Os tucanos apostam todas as suas fichas na insatisfação dos aliados com o relatório para derrubar a toda a proposta. Assim a CPI se encerra sem um relatório final, sem pedir o indiciamento de Perillo e de outras 45 pessoas. A quebra dos sigilos bancário e fiscal de 83 pessoas físicas e jurídicas revelou uma movimentação de R$ 84 bilhões, nos últimos dez anos. Segundo o relator, a maioria dessas transações ocorreu em períodos eleitorais.

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