Relator da ação da Raposa no STF rebate críticas a seu voto

Ministros dizem que Britto tratou determinadas questões superficialmente; ele votou pela demarcação contínua

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2008 | 19h23

O relator da ação que contesta no Supremo Tribunal Federal (STF) a demarcação da reserva indígena  Raposa Serra do Sol (RR), ministro  Carlos Ayres Britto, rebateu nesta sexta-feira, 29, as críticas feitas reservadamente por colegas ao seu voto, lido na sessão de quarta-feira do STF. Ministros afirmaram que Britto tratou determinadas questões de forma superficial, um deles classificou o voto do relator de "romântico". "Se algum ministro tachou o meu voto de superficial é porque o leu superficialmente", respondeu Britto. Veja também:Leia a íntegra do voto do relator  Blog: julgamento sobre a demarcação da Raposa Serra do Sol Ex-ministro do STF chama Roraima de 'Estado virtual' Advogado dos arrozeiros aponta para risco à soberania nacional Questão da Raposa põe em jogo "500 anos de colonização", diz advogada índia  Assista ao voto do relator Carlos Ayres Britto  A FAVOR: STF deve garantir direito dos índios, afirma CimiCONTRA: Demarcação não é simples litígio de terras, diz governadorEspecial sobre a disputa de terras indígenas  Entenda a sessão e relembre recentes decisões   E acrescentou que, ao contrário dessas avaliações, recebeu o apoio de juristas renomados após a sessão. "Não é como pensam Paulo Brossard, Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo Dallari, Weida Zancaner, Samuel Rodrigues Barbosa, Marcelo Leite, entre outros", afirmou. Britto votou por manter a demarcação contínua da terra indígena, exatamente nos moldes determinados pelo governo, e defendeu a retirada imediata dos arrozeiros instalados na região. Logo depois do voto, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo. Ainda não há data definida para a retomada do julgamento. Porém, ao menos quatro ministros ouvidos pela Agência Estado revelaram que pretendem fazer ressalvas à demarcação quando o julgamento for retomado. A preocupação principal desses ministros é com a soberania nacional. Eles argumentam que a reserva na fronteira com a Venezuela e a Guiana podem atrapalhar o trabalho das Forças Armadas e colocar em risco a segurança da região.

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