Relação política dentro do PMDB está 'em ebulição', diz Cunha

Presidente da Câmara afirma que seu partido está rachado e que não sabe se, atualmente, quem está 'de um lado ou de outro'; para ele, a substituição da liderança da sigla na Câmara não mudará situação

Daiene Cardoso e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 18h28

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na tarde desta quinta-feira, 10, ao deixar seu gabinete, que seu partido está rachado e disse não saber se hoje a maioria ou minoria "está de um lado ou de outro". "Mas que tem essa divisão, tem", afirmou.

Segundo Cunha, a convenção prevista para março pode ser antecipada. "Está muita confusão dentro do PMDB. Certamente o PMDB vai querer discutir se continua ou não apoiando o governo", comentou. O deputado revelou que tem informação de que 15 diretórios querem antecipar a convocação da convenção. Para ele, a carta do vice-presidente Michel Temer expôs um problema de relação institucional.

O peemedebista afirmou, ainda, que a relação política entre governo e o seu partido "está em ebulição" e que o agravamento da situação política está provocando um movimento pela convocação extraordinária de convenção.

Cunha condenou a movimentação para fazer com que deputados licenciados reassumam o mandato para restituir Leonardo Picciani (PMDB-RJ) na liderança da bancada. "Não sou favorável a esse tipo de método. Acho que tem que expressar a maioria daqueles que estão no partido sempre", ponderou.

O presidente da Câmara prevê que o clima na bancada peemedebista não vai melhorar com a indicação do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). "Isso é uma guerra que não vai parar, pelo que a gente vê. O ideal é que se fizesse uma nova eleição. Acho que tem que se resolver politicamente, e não no tapetão", opinou.

Durante a entrevista coletiva nesta tarde, Cunha se incomodou ao ser questionado se se considerava um político ético. "Esse é o tipo de provocação a que não vou me submeter", afirmou

Manobra. O presidente da Câmara tentou descaracterizar seus movimentos no Conselho de Ética como manobra para retardar o andamento do processo por quebra de decoro parlamentar. "Não pode confundir meu legítimo direito de defesa dentro da legalidade com achar que está se tendo retardamento. Achar que não vou exercer meu direito de defesa na legalidade é querer não fazer julgamento, é querer fazer justiçamento", disse.

O deputado alegou que a questão de ordem sobre a escolha de um relator que pertencia ao bloco liderado pelo PMDB, que levou à suspensão de Fausto Pinato, não foi feita ontem e que ele poderia deixar para fazer o questionamento em fevereiro, mas preferiu fazer agora. Lembrou que questões de ordem são respondidas de forma monocrática e não pelo colegiado da Mesa Diretora. Como presidente, ele se declarou impedido de atender a demanda e repassou para seu vice, Waldir Maranhão (PP-MA). "Não existe decisão colegiada para questão de ordem. É monocrática", argumentou.

Prisão. O peemedebista não quis comentar as supostas declarações do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que teria dito, segundo o jornal O Globo, que Cunha pode acabar sendo preso. "Desconheço isso, não vou comentar", disse. O presidente da Câmara também não quis comentar o projeto de resolução preparado pelo presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), pedindo seu afastamento cautelar.

Impeachment. Na avaliação de Cunha, os trabalhos na quarta-feira, 16, devem ficar paralisados em função da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a eleição para a Comissão Especial do impeachment. Ele explicou que já enviou respostas ao STF sobre a eleição, disse que defendeu o voto secreto porque ainda é usado em disputas internas, como por exemplo a eleição da Mesa Diretora, e vê legitimidade na chapa avulsa que venceu a disputa nesta semana.

"Eleição pressupõe que tem que ter voto, que tem que eleger. Se não houver possibilidade de disputa não é eleição, é nomeação", disse. Cunha ressaltou que o ideal seria que o STF decidisse hoje, mas que agora espera que o impasse se resolva na semana que vem.

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