Relação entre Mello e Jobim pode azedar de vez

As relações nada amistosas entre o presidente do SupremoTribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, e seu colega NelsonJobim ganharam hoje um novo ingrediente. Durante uma reunião fechadados integrantes do STF, Marco Aurélio leu um voto que enterra aspretensões de Jobim de adquirir um apartamento de luxo no edifício onde reside a maioria dos ministros do Supremo.Jobim não presenciou a recusa. Quando os ministros começaram adiscutir o assunto de seu interesse, espontaneamente ele deixou a salada presidência do Supremo, localizada no último andar doedifício-sede do tribunal. Ex-ministro da Justiça do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, Jobim tomou posse como integrante do STF em 1997, sete anos depois de o ex-presidente Fernando Collor de Mello ter dado a oportunidade para que ocupantes de apartamentos funcionais comprassem os imóveis.Avaliado por corretores em mais de R$ 1 milhão, o apartamento noQual Jobim está interessado é muito cobiçado no mercado imobiliário deBrasília. Seus cerca de 500 metros úteis deram ao imóvel o título de"um dos maiores apartamentos do Distrito Federal". Além disso, alocalização do imóvel é privilegiada: na quadra 313 da Asa Sul, próximoao Parque da Cidade e ao Aeroporto de Brasília. Diante do voto contrário de Marco Aurélio, os integrantes do Supremodecidiram suspender a discussão para refletir sobre o caso. Masalguns ministros consideraram contundentes as justificativas do presidente doSTF para negar o pedido de seu colega.A principal delas foi a de que, em março de 1990, Jobim não ocupavaum apartamento pertencente ao Supremo e, portanto, não poderiaadquiri-lo agora.Os desentendimentos entre Marco Aurélio e Jobim vêm desde aposse no STF do ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique. Mas tornaram-se mais evidentes em um episódio recente, quando opresidente do Supremo foi obrigado a reconhecer que errou ao citarum precedente inexistente do tribunal para liberar um traficante.

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