Relação Brasil-Irã é criticada nos EUA

Congressista mais influente para assuntos da região afirma que visita de Ahmadinejad é ?vergonhosa?

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

A iniciativa do governo brasileiro de receber na próxima semana o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e sua delegação é "vergonhosa" e "manda a mensagem errada para a região". Essas foram as palavras do congressista democrata Eliot Engel, presidente do subcomitê de Hemisfério Ocidental no Congresso americano e copresidente do Brasil Caucus, grupo de parlamentares interessados na relação bilateral.Engel é o nome mais poderoso na Câmara americana para assuntos relativos à região. "O governo brasileiro está equivocado, é vergonhoso receber Ahmadinejad neste momento", disse ele, em entrevista ao Estado. O presidente iraniano chega a Brasília na próxima quarta-feira e deverá ser acompanhado por uma comitiva composta por mais de 100 pessoas.No último dia 20, o líder iraniano discursou pedindo o fim do Estado de Israel na Conferência de Revisão de Durban sobre Discriminação Racial, em Genebra. Na ocasião, quando disse que o holocausto não existiu, Ahmadinejad foi criticado em nota oficial do governo brasileiro. No entanto, por propósitos econômicos, foi mantido o convite para a visita ao Brasil.Para Engel, o Brasil errou já na conferencia em Genebra. Após a apresentação polêmica de Ahmadinejad, vários diplomatas europeus saíram da sala em protesto, os brasileiros não. "No dia seguinte emitiram uma nota muito fraca de condenação, foi um erro", frisou.Pior ainda, alertou o congressista americano, foi o fato de o Brasil ter mantido a visita do líder. "Além disso, Ahmadinejad está em plena campanha eleitoral e o Brasil está emprestando credibilidade a ele", opinou.Engel endossa as ambições do Brasil de conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), uma das prioridades da política diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avalia, no entanto, que o gesto de amizade do governo em relação a Ahmadinejad atrapalha essa pretensão. "Eu apoio o Brasil no Conselho de Segurança, mas essa visita é um erro de cálculo e atrapalha a candidatura."ORIENTAÇÃOO Departamento de Estado manteve a sua orientação em relação à visita de Ahmadinejad. Uma fonte do Departamento frisou que "as nações são soberanas para manter relações diplomáticas com quem quiserem". "Mas gostaríamos que as nações que interagem com o Irã insistissem na necessidade de o país cumprir suas obrigações internacionais", completou, referindo-se à inspeção das instalações nucleares.

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