Relação Brasil-Argentina não mudará com vitória de Dilma, afirmam analistas

Cientistas políticos ressaltam afinidade ideológica entre Dilma e Cristina Kirchner

Ariel Palacios, Correspondente/ O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 20h28

"Para a Argentina a vitória de Dilma Rousseff não implicará em mudança de política". A frase é praticamente um consenso entre os analistas políticos e economistas portenhos, que consideram que o início do governo Rousseff a partir do dia 1 de janeiro de 2011 não provocará alterações nas relações políticas e comerciais que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aplicou à Argentina ao longo dos últimos oito anos.

 

"A presença de Dilma no Planalto não implicará em mudanças com a Argentina... mas, para a presidente Cristina Kirchner é uma mudança de personalidade", explicou ao Estado o analista político Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría.

 

"Lula conhecia bem o ex-presidente Néstor Kirchner (que morreu na quarta-feira passada de um ataque cardíaco) e a presidente Cristina Kirchner. Ele sabia como lidar com o casal Kirchner. Dilma terá que aprender como lidar com Cristina", sustenta.

 

O sociólogo e analista de opinião pública Carlos Fara, da consultoria Fara e Associados afirmou ao Estado que "a relação com a Argentina não muda com a vitória de Dilma, a não ser em nuances". Segundo Fara, "do ponto de vista ideológico existe certa coincidência entre o governo Lula - e sua sucessora Dilma - e o governo Kirchner".

 

Fara considera que "talvez Dilma tenha uma visão mais reivindicativa em alguns pontos sociais, que a façam encontrar pontos em comum com o governo argentino. Mas, acima de tudo prevalece a estrutura da política externa do Brasil, que é de longo prazo. Esta política de Brasília não varia de acordo com a ideologia do governo de plantão em Buenos Aires".

 

EMPRESÁRIOS - Uma pesquisa realizada há duas semanas entre os empresários que participaram do Colóquio Idea - o principal foro empresarial anual da Argentina - indicou que de um total de 50 CEOs de empresas argentinas, 46 preferiam a vitória de Dilma Rousseff em vez de José Serra.

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