Rejeição de contas é política, diz entidade

Porta-voz da Anca vê ?rigor diferenciado? em fiscalização dos sem-terra

, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

Para a diretoria da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), a recusa de suas contas e de outras entidades da reforma agrária pelo TCU não está ligada apenas a questões administrativas. Quem diz isso é o advogado Patrick Mariano, porta-voz da entidade. "Embora estejamos confiantes de que o TCU aprovará as contas da entidade, não podemos deixar de apontar que todos esses processos são fruto de uma ação política e não administrativa. Há um rigor diferenciado na análise dos projetos de entidades que desenvolvem trabalho com a população assentada, na área de educação e produção agrícola, em comparação à complacência enorme com entidades ligadas a setores da classe dominante. É preciso mudar isso."Segundo Mariano, a CPI da Terra adotou uma retórica preconceituosa em relação e à reforma agrária e isso influenciou o TCU em alguns casos."O problema é que as condenações sempre repercutem. Já das absolvições, ninguém fala", acrescenta, ressaltando que houve convênios aprovados. "A Anca desempenhou papel fundamental na melhoria das condições de vida de trabalhadores rurais, sendo agraciada com vários prêmios internacionais. Esperamos um julgamento justo do TCU e que a atuação conservadora da bancada ruralista não contamine os julgadores."Consultado na quarta-feira da semana passada sobre o assunto, o Incra não havia se manifestado até ontem à noite. Uma assessora informou apenas, de modo preliminar, que as entidades ligadas ao MST continuam a receber recursos do governo.O Ministério do Desenvolvimento Agrário também foi consultado, mas não se manifestou.Essa não é a primeira vez que as torneiras secam para o MST. Entre 2000 e 2002, o governo do presidente Fernando Henrique cancelou convênios com as entidades de fachada, alegando que o dinheiro era desviado para financiar invasões. No segundo semestre de 2003, uma reportagem do Estado revelou que, discretamente, o governo Lula retomara os convênios. A reportagem deu origem à CPI da Terra.R.A.

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