Rejeição a Serra dá força a Russomanno, avalia cientista político

Para Humberto Dantas, desempenho atual do candidato do PRB pode estar associado a alto índice de rejeição do tucano

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h08

Para o cientista político Humberto Dantas, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Insper, o desempenho de Celso Russomanno (PRB) nas pesquisas pode estar associado ao alto índice de rejeição do candidato do PSDB, José Serra.

Como é conhecido por 94% dos eleitores, Russomanno acaba citado pelos que não querem votar em Serra, mas que ignoram quais são os demais candidatos, segundo o professor.

Russomanno é o único candidato com índice de intenção de voto maior do que a taxa de rejeição, diz a pesquisa Datafolha. Como o senhor analisa esse quadro?

O grande valor da última pesquisa é ser a primeira sobre um quadro consolidado de candidatos. Ela mostra um eleitorado ainda muito pouco informado. Talvez o aspecto mais relevante seja o fato de mais de 60% dos entrevistados não saberem dizer, espontaneamente, em quem votarão. Russomanno pode representar uma tábua de salvação para o eleitor no que diz respeito à avaliação de nomes que já conhece. Ele indica aquele em quem eventualmente poderia votar, mas esse poder votar, neste instante, ainda é muito frágil. Talvez a performance de Russomanno esteja relacionada à alta rejeição de José Serra, que é a maior entre todos os candidatos. Também pode ser a falta de capacidade do entrevistado de associar o nome Fernando Haddad ao PT. Existe até certa dificuldade do eleitor mais simples de ler o sobrenome Haddad, que é incomum.

Russomanno é visto como o anti-Serra neste momento?

Existe uma superexposição do Russomanno em uma emissora importante de televisão, a segunda mais assistida. Ele é o "não Serra" mais conhecido. Dada a alta rejeição do candidato do PSDB, Russomanno surge como alternativa, alguém que oferece credibilidade. Temos que considerar que Serra é conhecido por 99% dos entrevistados, e que 37% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Esse cenário tende a mudar?

Tudo indica que, a partir de meados de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito, teremos um reposicionamento dessas candidaturas. É bom lembrar do que aconteceu em 2008. Às vésperas do início do horário eleitoral gratuito, o prefeito Gilberto Kassab tinha 8% das intenções de voto, ocupava a quarta colocação na disputa, atrás até de Paulo Maluf. Após uma campanha tecnicamente quase perfeita, ele terminou o primeiro turno em primeiro, à frente de Marta Suplicy, que era a favorita. E desbancou Geraldo Alckmin, do PSDB, que chegou a ter mais de 30% das intenções de voto.

Com pouco tempo de TV, há candidatos viáveis?

É uma eleição que depende muito do horário eleitoral. Chegar aos 8 milhões de eleitores de São Paulo não é uma tarefa simples. Nada impede que o Russomanno ganhe a eleição, mas isso é muito difícil. O mais provável é que ele não chegue ao segundo turno.

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