Reivindicações dos Estados ainda não são consensuais

A lista de reivindicações preparada por um grupo de 12 governadores, reunidos na segunda-feira em Brasília, para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como condição de apoio ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não é consensual. Pelo menos dois governadores alinhados a Lula disseram discordar dos pedidos.O governador do Rio, Sérgio Cabral, e o do Paraná, Roberto Requião, ambos do PMDB - partido da base aliada - defenderam na terça-feira apoio incondicional ao pacote de crescimento lançado por Lula e questionaram as propostas feitas no documento.Cabral afirmou que os governos estaduais devem evitar uma disputa por projetos de investimento. "Sou contra essa discussão de PAC paralelo", afirmou, após participar de um seminário sobre o crescimento da economia, no Rio. "Se for começar a discutir projetos paralelos, cada um vai puxar a sardinha para o seu lado". Na sua opinião, a proposta dos governadores deve se ater a projetos federativos, "que beneficiem todos os 27 Estados da Federação". Cabral não participou do encontro porque, segundo ele, o acordo era que o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), representasse os Estados da região Sudeste, mesma justificativa dada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB).Na terça-feira, o tucano não comentou o pacote de reivindicações. Na semana passada, Serra havia criticado o PAC, que classificou como "um plano fraco, vago e contraditório".Requião criticou os 12 governadores e disse ter estranhado o fato de ele não ter sido convidado a participar da reunião de segunda-feira. Para ele, os colegas deveriam apoiar o projeto. "Recomendo a meus colegas governadores que deixem o homem trabalhar", afirmou Requião, em uma brincadeira com o bordão usado durante a campanha de Lula, que dizia: "Deixa o homem trabalhar"."Que tratem (os governadores) de aprovar o PAC, que não é perfeito, pois não existe perfeição, mas é o primeiro passo", disse Requião, após reunião com seus secretários, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.Requião ainda classificou o PAC como algo "extraordinariamente positivo". Na reunião com seus secretários, ele atacou diretamente um dos pontos defendidos pelos governadores: o aumento dos repasses da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

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