Reitores de SP discordam de divisão de verbas

Os reitores das três universidades estaduais de São Paulo vão redigir um documento conjunto, endereçado aos deputados da Assembléia Legislativa, discordando do remanejamento de verbas para projetos de expansão das instituições. "Eles atropelaram o processo que já tinha sido discutido com o governo", disse o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Adolpho José Melfi. Mesmo assim, nada mudará no resultado da votação do Orçamento 2002, que tirou R$ 12 milhões da USP e R$ 5 milhões da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e repassou para a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Antes mesmo de o documento chegar à Assembléia, ele já surtiu algum efeito. O presidente da casa, Walter Feldman (PSDB) disse que, na votação do orçamento para 2003, possíveis "exageros" deste ano poderiam ser corrigidos. A reclamação das instituições é de que havia sido combinado que a divisão da verba adicional de R$ 50 milhões - para expansão de vagas e criação de novos câmpus - deveria seguir a proporção que ocorre no repasse do ICMS. Ou seja, dos 9 57% repassados às três universidades, 5,2% ficam com a USP, 2,3% com a Unesp e 2,1% com a Unicamp. Na Assembléia, a divisão dos novos recursos deixou a Unesp com R$ 29 milhões, a USP com R$ 12 milhões e a Unicamp com R$ 5 milhões. "Forças políticas e acadêmicas se movimentaram para que isso fosse feito", diz Feldman. "Muitos deputados têm relações com a Unesp e eles se articularam para remanejar as verbas." O reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, diz que não tinha conhecimento do que estava ocorrendo na Assembléia. Mas acredita que os deputados se sensibilizaram com os projetos de expansão da instituição, que eram maiores do que os da USP e os da Unicamp.Os projetos de cada umaA Unesp criou 500 novas vagas este ano, um câmpus em São Vicente e pretende abrir outras sete unidades em quatro anos. Já a USP ofereceu no vestibular deste ano 400 vagas a mais do que em 2000 e também abriu um novo câmpus em São Carlos. A Unicamp abriu 95 novas vagas este ano. As duas também têm propostas de ampliação para os próximos anos, como prevê o projeto acertado com o governo do Estado. Segundo Trindade, na reunião hoje entre os três reitores ficou decidido também que qualquer outra verba para expansão das universidades será dividida de acordo com os projetos apresentados e não segundo a proporção do ICMS. "Surgiu também a idéia de se fazer um fundo conjunto de expansão onde ficariam os recursos, mas ainda nada foi resolvido." Trindade já havia adiantado que não abriria mão das verbas a mais que a Unesp recebeu.

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