José Medeiros/AE
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Reintegração de posse de terra indígena deixa 8 feridos no interior de MT

Segundo MPF, grande parte das áreas da Terra Indígena Marãiwatsédé está nas mãos de 22 grandes posseiros

Fátima Lessa, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2012 | 19h57

CUIABÁ - No primeiro dia da reintegração de posse na Terra Indígena Marãiwatsédé/Gleba Suiá Missú, na região de Ribeirão de Cascalheira, interior do Mato Grosso (MT), um confronto entre invasores e policiais deixou oito pessoas feridas.

Segundo policiais locais, o conflito aconteceu entre homens do povoado Posto da Mata, último reduto previsto para ser desocupado, que teriam ido até a fazenda Jordão, já desocupada. Eles chegaram com paus e pedras jogando nos policiais da Força Nacional. Há informação de que há incentivo dos pequenos posseiros pelos grandes proprietários.

A desocupação da fazenda começou por volta de meio dia numa verdadeira ação de guerra. Os oficiais estavam acompanhados de policiais rodoviários federais enquanto um helicóptero sobrevoava a área. Nesta primeira etapa, foram desocupadas grandes propriedades.

Segundo levantamento do Ministério Público Federal (MPF), grande parte das áreas da Terra Indígena Marãiwatsédé está nas mãos de 22 grandes posseiros. O grupo constituído de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, empresários e até um desembargador é dono de mais de 32 fazendas o equivalente a 44,6 mil hectares.

O conflito aconteceu entre homens do povoado Posto da Mata, último reduto previsto para ser desocupado, que teriam ido até a fazenda de nome Jordão. Eles chegaram com paus e pedras jogando nos policiais da Força Nacional.

O MPF informou que desconhecia o confronto e que só no fim do dia receberia informações da equipe. O órgão admite que, no caso de desobediência, os moradores que estivessem resistindo poderiam ser enquadrados no crime de "desobediência e obstrução a ordem judicial". "A ordem é cumprir a determinação judicial", disse a procuradora Marcia Brandão Zollinger.

A saída dos fazendeiros e posseiros que ocuparam a área indígena deveria ter acontecido até o fim do mês de setembro. Poucos dias antes do fim desse prazo, duas decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspenderam a desintrusão, desobrigando, temporariamente, a saída dos ocupantes da área que pertence aos índios da etnia Xavante. No dia 17 de outubro, o presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito, deferiu o pedido do MPF e suspendeu os efeitos da decisão liminar proferida pelo TRF1.

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