''Rei morto, rei posto'', diz Lula sobre voltar ao poder

Em entrevista a programa popular de rádio, ele admite que eleger a ministra Dilma Rousseff como sucessora será ''uma tarefa gigantesca''

Wilson Tosta e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Com um "rei morto, rei posto", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem, em entrevista à Rádio Globo (AM), que pretenda voltar a disputar a Presidência em 2014. Ele reiterou que aposta na ministra-chefe da Casa Civil como candidata à sua sucessão em 2010, mas frisou que será "uma tarefa gigantesca"eleger Dilma Rousseff. "Fazer a minha sucessão é uma tarefa gigantesca", afirmou Lula ao comunicador Antônio Carlos, que comanda um programa de manhã na emissora. "Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que a companheira Dilma seja a candidata. Agora, se ela vai ganhar, é uma tarefa que vai depender do trabalho de cada brasileiro e de cada brasileira."Ele chamou de "bobagem" imaginar sua volta ao cargo e confundiu-se ao dizer que foi reeleito "duas vezes", com mais de 60% dos votos. "Só tenho que torcer para que quem seja eleito faça muito mais do que eu, com mais competência."Lula comparou a queda de sua popularidade nas pesquisas a uma variação da pressão arterial e atribuiu a mudança à crise econômica mundial. Voltou, porém, a fazer um discurso otimista sobre o País."Posso dizer, olhando nos seus olhos, Antônio Carlos, que o Brasil é o país que está mais sólido no mundo, hoje", afirmou. "Nós temos um sistema financeiro sólido, nós fizemos a política anticíclica que alguns não conseguiram fazer ainda, nós temos bilhões de reais. São quase US$ 300 bilhões de investimentos do PAC", listou.PISCINASEm programa com audiência fortemente popular, o presidente procurou ressaltar temas caros a essa faixa da população, como programa de habitação, fim de filas do INSS e criação de empregos, destacando as medidas do governo contra a crise. "Aliás, vou te convidar para ir comigo, quando eu vier ao Rio, talvez no dia 28 ou 29, nós vamos inaugurar as piscinas lá no Complexo do Alemão", disse Lula, na entrevista. Prometeu que a população local será tratada como as "pessoas de olhos azuis" a quem novamente culpou pela crise econômica.O presidente afirmou ter entendido a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamando-o de "o cara", como uma brincadeira "de amigo para amigo". E disse que o Brasil conquistou esse respeito internacional. "Todo mundo sabe o esforço que nós fizemos nesses últimos anos para diminuir a miséria absoluta neste País", afirmou. "Por isso é que 20 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, por isso o povo mais pobre da periferia e do Norte e Nordeste está tendo um padrão de vida um pouco melhor."

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