Rei do Mogno diz estar ?jurado de morte?

O madeireiro Osmar Alves Ferreira, conhecido como Rei do mogno, acusado pelo pecuarista Adilson Prestes de estar envolvido com o crime organizado e extração ilegal de madeira em terras indígenas nos municípios de Novo Progresso, Altamira e na região da Transamazônica, afirmou nesta quarta-feira que jamais teve qualquer ligação com esses crimes. Esta foi a primeira vez em cinco anos que ele apareceu para se defender de denúncias e acusações feitas por comerciantes e autoridades do Pará. Prestes afirmou à noite ao Estado estar "jurado de morte". Ele dorme armado de revólver e não anda mais sozinho pelas ruas de Novo Progresso, onde mora. Durante mais de três horas ele prestou depoimento ao delegado Roberto Pimentel, da Delegacia de Meio Ambiente. Ele chegou a dizer que desde outubro do ano passado abandonou a exportação de mogno. "Não conheço o meu acusador e gostaria que ele provasse o que diz", resumiu Ferreira. Sobre a acusação de que montou várias empresas para "laranjas" que invadem reservas indígenas, aliciam índios e falsificam planos de manejo, o madeireiro disse que possui apenas um empresa em seu nome, a Tapajós Timber, que exporta madeira para a Europa e Estados Unidos. "Não faço extração de mogno, mas compro a madeira serrada de outras empresas", acrescentou Ferreira. Em maio passado, o madeireiro, que também disse ser pecuarista, havia se esquivado de prestar declarações em juízo num processo movido contra 12 madeireiros pelo promotor de Altamira, Mauro Mendes de Almeida. Acusado pelo promotor de chefiar a "Máfia do Mogno", Ferreira não depôs perante a juíza de Altamira, Márcia Murrieta, graças um habeas-corpus com pedido de liminar concedido pelo desembargadora Rosa Portugal Gueiros. A concessão dessa liminar abriu feridas no Tribunal de Justiça do Pará. A desembargadora Sonia Parente acusou Rosa Portugal de beneficiar com sua decisão pessoas sobre as quais pairam graves suspeitas de devastação da Amazônia, grilagem de terras e crimes contra o Estado e a União.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.