Helvio Romero/Ae
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Regular mídia não é impor censura, afirma Dirceu

Em seminário organizado pelo PT para discutir a criação de marco regulatório para comunicação, ex-ministro afirma que proposta não envolve controle de conteúdo

Gustavo Uribe, da Agência Estado

25 de novembro de 2011 | 12h50

O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu afirmou nesta sexta-feira, 25, que o PT sempre defendeu a regulação dos meios de comunicação e criticou o discurso de quem associa uma regulamentação do setor à censura da mídia. "O PT sempre defendeu a regulação da mídia como sempre defendeu a liberdade de imprensa", disse Dirceu, durante o seminário Por um Novo Marco Regulatório para as Comunicações, promovido na capital paulista pela direção nacional do partido.

O ex-ministro disse que países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e França possuem regras para a mídia sem que isto seja encarado como censura. "Estar contra a regulação e ficar batendo na tecla de que a regulação é censura não vai ter futuro", afirmou.

Dirceu defendeu um maior debate entre os partidos políticos e a sociedade sobre o assunto e disse ser totalmente contra qualquer controle de conteúdo produzido pela imprensa. "Estamos propondo o que há no mundo inteiro, uma regulamentação dos meios de comunicação", afirmou. "O problema é que alguns setores não querem debater a regulação e querem convencer a sociedade de que regulação é censura."

O ex-ministro, afastado do governo Lula em meio ao escândalo do mensalão, criticou os donos de jornais brasileiros. "A única censura que existe é a do dono de jornal no Brasil: quando não quer, não publica uma coisa. Se o repórter insistir, é demitido", afirmou, demonstrando desejo de que parte da mídia apoiasse o governo. "Eu só lamento que não tenha jornal também de esquerda, que seja a favor do governo federal."

Dirceu afirmou que existem monopólios nos meios de comunicação brasileiros e defendeu a discussão sobre o que chamou de "oligarquias eletrônicas", referindo-se ao fato de deputados e senadores serem detentores de concessões de emissoras de rádio e TV em suas bases eleitorais.

O ex-ministro propôs também que sejam mais bem debatidos alguns pontos envolvendo a mídia, como o direito de resposta e de imagem, o monopólio dos meios de comunicação e a propriedade de rádios e TVs por políticos.

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