Valter Campanato/Ag. Brasil
Valter Campanato/Ag. Brasil

Regra impulsiona número de pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo

Fim das coligações proporcionais inibe criação de alianças; nove siglas já analisam nomes para a disputa

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 05h00

A proposta de emenda à Constituição do Senado que acabou com a possibilidade de coligações proporcionais tornou menos atraente a formação de alianças nas campanhas majoritárias e antecipou a corrida dos partidos em busca de nomes para disputar o Executivo. A mudança na legislação já tem reflexo direto nas eleições municipais de 2020 em São Paulo, as primeiras sob a nova regra. Até partidos com pouca ou nenhuma tradição em disputar o Edifício Matarazzo tentarão a sorte nas urnas.

É o caso, por exemplo, do PCdoB. Após se coligar com o PT em todas as eleições desde a redemocratização, a legenda se prepara para lançar pela primeira vez um candidato. Dois nomes estão na disputa: o deputado federal Orlando Silva e a ex-vice-prefeita Nádia Campeão.

Em São Paulo, pelo menos nove partidos já têm pré-candidatos. Como comparação, na mesma época em 2015, as articulações internas estavam mais atrasadas e apenas quatro nomes estavam na disputa: Celso Russomanno (PRB), o então prefeito Fernando Haddad (PT), Andrea Matarazzo (PSDB) e Marta Suplicy (MDB).

Liderado pelo ex-ministro Gilberto Kassab, o PSD já bateu o martelo e vai lançar o ex-vereador Andrea Matarazzo. O PSB vai apostar no ex-governador Márcio França e o PRB planeja novamente investir em Celso Russomanno. O MDB cogita convocar o ex-ministro Henrique Meirelles, enquanto o PSDB vai jogar suas fichas na reeleição de Bruno Covas. O PT está dividido entre Ana Estela Haddad, Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante e o PDT quer lançar Tabata Amaral. O PSL, que já fala em prévias, cogita Joice Hasselmann, José Luiz Datena e Janaina Paschoal.

Segundos analistas e dirigentes partidários ouvidos pelo Estado, com o novo modelo, as legendas sem candidatos fortes para o Executivo municipal não poderão mais pegar “carona” nos votos da coligação para vereador. Até 2018, os deputados federais, estaduais e vereadores eram eleitos no modelo proporcional. A distribuição das vagas era, portanto, feita por um cálculo com base nos votos da coligação.

Dessa forma, puxadores de voto como o palhaço Tiririca (PR) ajudavam a eleger políticos de menor expressão de outros partidos coligados. As legendas com nomes competitivos, por sua vez, aceitavam o acordo em troca do tempo de televisão e muitas vezes perdiam vagas no Parlamento.

“Acredito que em 2020 vai haver o maior número de candidatos a vereador da história. Deve aumentar muito também o número de candidaturas majoritárias. A partir do ano que vem, cada partido vai contar apenas com seus próprios recursos. É muito melhor lançar um candidato, porque isso repercute no proporcional”, disse o advogado Anderson Pomini, especialista em direito eleitoral e ex-secretário de Justiça da capital.

Para o sociólogo Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, mesmo partidos pequenos vão lançar candidatos. “A candidatura a prefeito vai tentar cacifar e dar apoio aos candidatos a vereador. Será uma eleição muito pulverizada”, afirmou.

PSL de Jair Bolsonaro já fala em prévias

Depois de saltar da condição de nanico para o maior partido da Câmara, o PSL, partido do presidente do Jair Bolsonaro, já mapeia potenciais candidatos à Prefeitura de São Paulo. São citados a deputada e líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, a deputada estadual Janaína Pascoal e o apresentador José Luiz Datena, que recebeu um convite para se filiar ao partido. Segundo o senador Major Olimpio, presidente do PSL paulista, a sigla pode realizar prévias para definir um nome.

“Nosso esforço é para lançar candidaturas em todos os municípios. É orientação do diretório nacional”, disse Major Olimpio. Por uma determinação da Executiva, todos as convenções municipais terão de ser submetidas ao diretório estadual. “Há uma corrida da classe política para se apropriar da marca PSL nas cidades”, disse Olimpio.

Após apoiar João Doria (PSDB) na eleição de 2016 na capital, o PSB já articula a candidatura do ex-governador Márcio França, que mudou o domicílio eleitoral para a cidade. “A candidatura a prefeito precisa ter um peso, se não ela atrapalha”, disse o presidente do PSB, Carlos Siqueira. PCdoB e PDT também cogitam lançar candidaturas a prefeito.

O ex-vereador Andrea Matarazzo (PSD), que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Marta Suplicy (MDB) em 2016, vai ser o cabeça de chapa em 2020. O MDB não descarta lançar o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles

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