Regina reafirma que violou sigilo a pedido de Arruda e ACM

A ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges repetiu, em seu depoimento ao Conselho de Ética do Senado, na tarde desta quinta-feira, o relato feito ao "Jornal do Brasil" e publicado na edição de hoje. Ela conta que, na noite de 27 de junho de 2000, véspera da votação em que foi cassado o mandato do então senador Luiz Estevão, foi chamada por telefone pelo líder do governo na Casa, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). No telefonema, Arruda pediu que Regina fosse à residência dele, na superquadra 114 Sul. Ela disse que ficou apreensiva, mas foi à casa do senador. No depoimento, ela contestou a versão do senador Arruda de que ela já esteve em outra oportunidade na residência dele. Disse que jamais esteve, seja na casa dele ou de outro senador para tratar de questões de trabalho. Contou que, ao chegar à casa de Arruda, encontrou um jovem treinando em um instrumento musical. A ex-diretora do Prodasen disse que foi recebida pelo senador Arruda e que lhe disse que o senador Antonio Carlos Magalhães havia pedido que providenciasse a lista de votos dos senadores na sessão de cassação de Estevão. Regina Borges contou que ficou sem saber o que dizer, que seguiu seu primeiro impulso e respondeu que seria impossível. Segundo ela, o senador insistiu, afirmando ter conhecimento de que era possível e frisando que o pedido era do presidente do Senado. Em seguida, Regina contou que saiu do apartamento vivenciando um conflito interno, imaginando que, se negasse a atender o pedido, teria que exonerar-se e precisaria dar uma justificativa. Segundo ela, sua ansiedade foi atenuada pelo fato de ser contra o voto secreto, mas ressalvou que isso não justifica seu ato. Regina Borges disse ainda que, se lhe fosse pedido para mudar um voto, ela se negaria. Relatou ter contado a história a seu marido, Ivar Ferreira, funcionário há 25 anos do Senado, onde trabalha também na área de processamento de dados e que ele não quis deixá-la sozinha e concordou em ajudá-la, responsabilizando-se pelas conseqüências.Emocionada e com voz embargada, com pausas para conter o choro, Regina Borges abriu seu depoimento dizendo: "Minha alma vai ser aberta com a verdade. Hoje é o dia mais doloroso de minha vida." Fez questão de frisar que unicamente ela era a responsável pela fraude e que todos os colegas do Prodasen (serviço de processamento de dados do Senado Federal) nada têm a ver com o assunto. Lamentou profundamente ter quebrado o processo de confiança existente entre os senadores e os servidores. "Me dói profundamente a lesão que este processo vai causar para o Prodasen, um órgão que tem sido importante para a Nação, como ocorreu na Constituinte, e sempre teve papel importantes nas CPIs." Regina Borges disse que lamentava "ter quebrado isso". Comentou que o Prodasen é marcado não só por técnicos competentes, mas também pela preservação do sigilo da informação, que é trocada entre os senadores e os servidores. "Lamento ter quebrado esse processo de confiança, me perdoem os meus colegas do Prodasen." Fez um relato de sua própria história profissional e de como eram suas relações com o então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, fazendo antes uma ressalva: "Longe de mim estar aqui para cassar senadores, eu estou aqui para dizer a verdade, mesmo que isso me prejudique." Regina disse lamentar o fato de o episódio estar ferindo dois senadores - José Roberto Arruda (PSDB-DF) e Magalhães. Ela tem dito que violou o sigilo do painel a pedido do senador Arruda, que lhe teria dito tratar-se de uma determinação de Magalhães, então presidente do Senado. Sobre o relacionamento com Magalhães, afirmou que só passou a conhecê-lo quando ela assumiu o cargo de diretora do Prodasen. Disse que ele nunca lhe fez nenhum pedido que não fosse regular, era sério austero "e brabo demais, em algumas ocasiões, e às vezes terno, mas justo".

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