Regina detalha encontro com ACM e Arruda

Com riqueza de detalhes, a ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado Federal (Prodasen), Regina Célia Borges, disse ao Conselho de Ética do Senado que, quando foi exonerada, há cerca de dois meses, recebeu um telefonema do senador Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA), que estava em Miami (EUA), lamentando sua demissão e perguntando o motivo por que o Prodasen havia substituído a empresa responsável pela manutenção do painel de votação eletrônica doplenário do Senado. Ela relatou que explicou, então, a ACM, mas que nessa conversa não foi tocada a questão da violação do sigilo do painel. Posteriormente, ela procurou o senador em seu gabinete, no Senado, para demonstrar sua preocupação em relação à perícia que estava sen do feita por técnicos da Unicamp sobre a violação. Disse que o senador lhe disse que não se importasse. Ela disse, também, que depois que surgiram as reportagens sobre violação do painel na revista IstoÉ, ela também procurou o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), tendo se encontrado com ele em uma formatura, num local próximo à Univesidade de Brasília. Da conversa que manteve com ele na ocasião, segundo ela, participoutambém o assessor de Arruda, de nome Domingos Lamoglia. Ela disse que esteve na casa de Arruda duas vezes depois da violação do painel, sendo que numa delas Arruda desconfiou que ela estava gravando a conversa e fez perguntas por escrito. Na ocasião, segundo ela, o senador queria saber sobre o andamento do processo de sindicância. Ela observou que sofreu momentos de calvário diante da possibilidade de descoberta da fraude e que tinha a sensação de que ficaria sozinha no episódio, como de fato ficou. Disse, ainda, que os demais funcionários do Prodasen que participaram da fraude també m ficaram em estado de nervos a ponto de ela ter que distribuir Lexotan entre eles. Mas ela assegurou que não deixaria que elesfossem responsabilizados. "Daria tudo para ter uma saída, se dependesse de um sacrifício pessoal. Mas eu não posso colocar a instituição Prodasen em jogo", disse ela, justificando o motivo de ter mudado o seu depoimento, depois de ter negado qualquer violação, num depoimento que prestou em 05 de março à comissão de inquérito do Senado que apurou a violação.

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