Regina assegura que só houve uma violação

A ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen) Regina Célia Borges assegurou hoje, em entrevista à Rádio Senado, que a única vez em que houve violação do painel da Casa foi para retirar a lista sobre como votou cada um dos senadores na sessão que cassou o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Regina defendeu-se para tentar acabar com as especulações de que outras violações de votações secretas poderiam ter ocorrido. A desconfiança surgiu porque a Polícia Federal (PF), ao pesquisar o computador que era usado pelo marido de Regina, Ivar Ferreira, encontrou alguns fragmentos de que três listas foram retiradas do computador. Só que não há identificação, no entanto, de quais votações são essas listas, se secretas ou abertas, ou quais as datas em que elas ocorreram.O presidente da comissão de inquérito que investigou a invasão ao painel, Dirceu Matos, admitiu que é possível que essa violação possa ter ocorrido outras vezes, uma vez que a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, detectou 18 pontos vulneráveis no painel. "Mas isso não quer dizer que, de fato, tenha acontecido. É apenas uma hipótese que a nova perícia da PF vai detectar nessa investigação", declarou Matos, esclarecendo que os vestígios de arquivos de listas encontrados, sem data ou identificação, não significam, necessariamente, que houve quebra de sigilo.Hoje, representantes da Unicamp, PF e comissão de inquérito do Senado participaram da operação de retirada dos sete discos rígidos dos computadores do plenário. A PF fará exatamente a mesma investigação realizada pela Unicamp, na qual identificou os 18 pontos vulneráveis. Os registros pesquisados são a partir de setembro de 1999 até o momento em que os discos rígidos foram retirados do computador. A PF poderá apresentar o lado em 15 dias, mas o prazo é prorrogável."Só queremos que fique tudo absolutamente esclarecido" afirmou o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), que pediu a nova vistoria pela PF. "É que não pode haver dúvidas neste caso", acentuou Tuma, depois de informar que conversou com Regina e Ferreira para saber de que votações eram as listas, mas eles mesmos não souberam informar e achavam até que elas poderiam ser de testes.Na entrevista, Regina apelou ainda para o "espírito de justiça" e "os atenuantes" do caso com o objetivo de não ser punida com a pena máxima, que seria a demissão. A outra opção seria a suspensão por até 90 dias. Ela lembrou que os senadores, ao apresentarem renúncia, em 2002, poderão retornar para a vida pública, embora reconheça que essa saída tenha sido dolorosa. "Só que, para os servidores, a pena máxima seria implacável", afirmou Regina, que tem consciência de que será punida e fazia discurso como se estivesse em campanha. Ela reiterou que estava cumprindo uma ordem e que está vivendo um "estresse absoluto"."Estamos todos estressados e ainda surgem novas insinuações?", observou ela, defendendo o marido. "Estou absolutamente segura e posso garantir que isso nunca aconteceu antes, pelo menos no tempo que estava à frente do Prodasen."A comissão administrativa que investiga os funcionários começará a ouvir outras testemunhas na próxima semana. Ferreira e Regina, que estão de férias do Senado, serão os últimos a serem ouvidos. A comissão tem até 18 de agosto para apresentar os seus trabalhos.

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