FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Regalias de Cabral na cadeia levam PM a abrir inquérito para investigar policiais

Decisão foi tomada pelo secretário da Polícia Militar do Rio, após inspeção da Vara de Execuções Penais achar celulares, anabolizantes e pedidos a restaurantes

Rayanderson Guerra, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 17h29

RIO –  A PM do Rio abriu inquérito para apurar se policiais militares permitiram ou facilitaram supostas regalias para o ex-governador Sérgio Cabral e o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, presos no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói. A investigação foi instaurada por ordem do secretário da PM Luiz Henrique Marinho Pires. A apuração começou após uma inspeção da Vara de Execuções Penais (VEP) encontrar, na área onde Cabral fica, celulares, anabolizantes, cigarros eletrônicos e pedidos a restaurantes.

No local inspecionado, também havia toalhas bordadas com o nome do ex-governador. Também foi achado um caderno com registros de pagamentos em dinheiro ou por cartões de crédito e débito e recibos de um aplicativo de compra de refeições. Em um dos vídeos feitos pelos agentes de fiscalização, Cabral aparece em uma área externa com o tenente-coronel Oliveira. O oficial foi condenado a 36 anos de prisão pelo assassinato da juíza Patricia Acioli.

A descoberta das supostas regalias levou a Justiça a decidir transferir Cabral de volta para o Complexo Penitenciário de Gerocinó, em Bangu, na zona oeste carioca. O ex-governador está no BEP desde setembro de 2021.

Na segunda-feira, 2, a Corregedoria da Polícia Militar fez nova fiscalização no batalhão em que Cabral está preso. A corporação informou que foram apreendidos treze aparelhos de televisão com kits de smart TV na inspeção. 

Ex-governador também foi suspeito de ter regalias em outras prisões

Essa não é a primeira vez que o comando da PM do Rio pede a apuração de supostas regalias concedidas irregularmente a Cabral. Em abril, a direção da unidade prisional foi trocada. A medida foi tomada após agentes encontrarem uma instalação de isopor no teto da cela em que o ex-governador está detido. Seu suposto objetivo seria reduzir a temperatura no cárcere. Também foram achadas embalagens de restaurantes descartadas em lixeiras.

Em 2017, em passagem anterior do ex-governador pelo Complexo Penitenciário de Gericinó, câmeras de vigilância mostraram que ele circulava livremente pela unidade. Também registraram imagens nas quais Cabral recebia encomendas e visitas fora do horário estipulado para os outros presos.

Cabral foi transferido então para o presídio de Benfica, na zona norte. Mas as regalias não terminaram. Agentes da Vara de Execuções Penais encontraram na prisão uma sala, com TV de 65 polegadas e um home theater. Teria sido montado para o político.

A Unidade Prisional da PM, também conhecida como BEP, recebe policiais militares e detentos com direito à prisão especial. Além da Vara de Execuções Penais, o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Corregedoria da PM participaram da fiscalização.

A Secretaria da Polícia Militar afirmou que todas as decisões da Vara de Execuções Penais são “rigorosamente cumpridas”. Cabral foi condenado em 22 processos na Lava-Jato do Rio. São casos que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas somadas chegam a 407 anos.

Defesa de Cabral aponta ‘perseguição infundada’

Em nota, a defesa do ex-governador Sérgio Cabral diz que “a reportagem do Fantástico que exibiu as supostas regalias retrata uma perseguição infundada”, uma vez que nada foi encontrado na cela do ex-governador. De acordo com a advogada Patrícia Proetti, Cabral não responde a nenhum PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) e “desconhece os objetos encontrados” fora do espaço. “No momento da chegada das autoridades, o ex-governador estava em área comum, na companhia dos demais acautelados”, afirma.

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