Reformas podem gerar empregos, diz Berzoini

O ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, disse hoje, no Senado, que o crescimento econômico, que pode ser auxiliado pelas reformas tributária e da Previdência, aumentaria a oferta de trabalho e reduziria a discriminação contra os negros. A avaliação do ministro foi durante o seminário "Reforma: raça, gênero e políticas de inclusão social", realizada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Segundo o ministro, os dados do IBGE de 2001, mostram que os negros estão em pior situação no mercado de trabalho. O desemprego atinge 10,7% entre eles, contra 8,3% verificados entre os brancos e 65,4% dos negros estão na informalidade, comparado a 51,8% dos brancos. O rendimento médio dos negros é de R$ 321,00, enquanto dos brancos é de R$ 667,00 e entre os negros com 15 anos de estudo a média sobe para apenas R$ 1.700,00, enquanto passa para R$ 2.300,00 para os brancos, com a mesma escolaridade. O ministro disse ainda que apenas 54,3% dos negros contribuem para o INSS, índice 10 pontos porcentuais abaixo do verificado entre os brancos. Ele informou que a cobertura previdenciária entre os negros só é superior à dos brancos na faixa de até 1 salário mínimo, pois há menos brancos nessa faixa de renda. Resposta a críticasO ministro da Previdência rebateu as críticas de opositores da reforma da Previdência, segundo os quais o governo teria apresentado uma proposta para "tributar os velhinhos". O ministro lembrou que a taxação dos inativos em 11% dos ganhos que superarem R$ 1,058 atingirá apenas uma parte do ganho salarial que esses inativos tiveram ao se aposentar do serviço público. Ele observou que os servidores, ao se aposentar, deixam de contribuir para a Previdência e passam a ter um ganho de 12,3% em seus salários. O ministro rebateu ainda a acusação de que a reforma previdenciária é privatizante e disse que os próprios bancos são contra o teto de benefício de R$ 2,4 mil, pois eles perderão clientes para o sistema público de Previdência.O ministro explicou ainda que os fundos de previdência complementar, que atenderão os novos servidores com ganhos de R$ 2,4 mil não terão fins lucrativos e serão geridos paritariamente entre os patrocinadores e os servidores.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 12h09

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