Reforma tributária só vale se beneficiar a todos, diz Serra

Ele rebate críticas do Norte e Nordeste e pede atenção a detalhes do texto

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

O governador de São Paulo, José Serra, rebateu ontem declarações de governadores do Norte e Nordeste de que pretende adiar o debate de mudança no sistema tributário para atender apenas os interesses paulistas. "A questão não é ser a favor ou contra. A questão é que tipo de reforma beneficia o Brasil como um todo", disse, em entrevista após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Na última terça-feira, o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, em entrevista ao Estado, criticou duramente o projeto de reforma tributária encampado pelo Planalto."É preciso levar tudo com muito cuidado e também ver os detalhes, porque, às vezes, o diabo reside nos detalhes", afirmou Serra. "Reforma tributária é uma coisa muito delicada pela complexidade que envolve, pela dificuldade de conhecimento técnico e pelos problemas jurídicos que sempre traz."A menos de dois anos da sucessão presidencial de 2010, o tucano classificou como um "equívoco" a interpretação de que é contra uma reforma tributária. Na avaliação do governador, o momento de crise financeira exige cuidados sobre criação de impostos e não se pode levar à frente uma proposta com "deficiências" como a que está em tramitação.Entre outros pontos, São Paulo discorda da mudança do sistema de cobrança do ICMS (do Estado de origem, como é hoje, para o destino)."Não há ninguém no Brasil que defenda mais do que eu a reforma tributária, pode ter alguém que defenda com a mesma intensidade", disse. "O problema são as medidas e os detalhes", completou. "A minha preocupação essencial não é regional, nem estadual nem municipal, é nacional." Ele disse que não defende a idéia do "quanto pior melhor". "Não se pode misturar política partidária com a questão da crise", rebateu. "O Brasil precisa ser preservado da crise em qualquer circunstância".Serra criticou declarações de que São Paulo seria "egoísta", feitas por governadores como Eduardo Campos (Pernambuco), Marcelo Déda (Sergipe) e Jaques Wagner (Bahia). "Neste momento temos de somar forças. Isso interessa a todo mundo, ao governo, à oposição, aos governos estaduais e municípios, e particularmente a São Paulo, que é o Estado com mais empregos, pois tem a maior população.'' O tucano lembrou de sua participação na Constituinte como relator da questão tributária. Um novo imposto precisa de até quinze anos para se firmar, segundo ele.

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