Reforma tributária não deve sair até 2010, afirma Bernardo

Ministro do Planejamento ressalta, porém, aperfeiçoamentos realizados pelo governo Lula nessa área

Gerusa Marques, da Agência Estado,

04 de junho de 2009 | 12h16

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta quinta-feira, 4, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que "tudo indica" que o governo não conseguirá fazer a reforma tributária até 2010, último ano de mandato. "Tudo indica que vamos terminar 2010 sem ter feito a reforma tributária", afirmou Bernardo.

 

O ministro cobrou um esforço do Congresso Nacional para votar o projeto. "Todos nós queremos a reforma tributária. Aparentemente está vencendo quem quer fazer uma guerra fiscal, quem quer manter a burocracia e quem quer manter a carga tributária inalterada. Isso é muito ruim", disse.

 

"Com toda sinceridade, acho que dava para votar. Agora, o problema é que a cada dia fica mais difícil", disse o ministro, após a primeira parte da reunião do CDES. Segundo ele, se a reforma tributária ficar para 2011, ela só começará a ser implantada em 2013, já que esse processo é gradativo. "É um prejuízo muito grande para o País", afirmou.

 

Ele ressaltou, no entanto, que o governo fez uma série de aperfeiçoamentos nessa área. Segundo ele, salvo algumas exceções, o governo Lula é marcado por não ter aumentado impostos. "Fizemos sucessivas negociações para diminuir tributos", disse o ministro, citando como exemplo a criação do sistema de tributação simplificada para microempresas e de pequeno porte (Simples).

 

Crise

 

Paulo Bernardo disse que a avaliação do governo é de que a crise financeira internacional não interrompeu o projeto de desenvolvimento do País. "O Brasil não foi parte da gestação dessa crise, mas achamos que o Brasil vai ser parte da solução", disse Bernardo, acrescentando que a crise deve ser encarada como uma oportunidade. "O nosso desafio é que o Brasil saia da crise melhor do que estava antes dela."

 

Bernardo disse ainda que o Brasil tem hoje mais condições de enfrentar turbulências econômicas, do que tinha anteriormente. Ele lembrou que o País não recorreu ao Fundo Monetário Internacional,não adotou pacotes e nem fez cortes drásticos. "Conseguimos vencer o fantasma da inflação, que desorganizava a nossa economia", afirmou.

 

Ele ressaltou que é cada vez mais importante investir em gestão. Ele lembrou que quando o Programa de Aceleração do Crescimento foi lançado, em 2007, o governo percebeu que precisava de um sistema de gestão integrada; que não bastava apenas investir recursos. "Estamos procurando avançar nessa gestão. Precisamos reduzir a burocracia e simplificar o atendimento", disse o ministro.

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