Reforma política é 'imprescindível para arrumar País', diz Lula

Presidente diz, durante discurso, que é preciso 'acabar com a hipocrisia' sobre projeto da reforma

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 14h05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta terça-feira, 17, que a aprovação da reforma política é "imprescindível" para "arrumar" o País. Embora tenha admitido durante discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que não pode falar tudo o que pensa sobre esse tema, Lula afirmou que é preciso "acabar com a hipocrisia" na discussão da reforma política.   Segundo ele, faz parte da lógica política no Brasil empresários de qualquer parte do País ter a sua bancada de deputados, senadores, vereadores, governadores e prefeitos. "Se quisermos moralizar, precisamos ter coragem de discutir o financiamento público de campanha", disse. O presidente defendeu o financiamento público de campanha sob o argumento de que é mais barato e mais fácil de controlar. "O cidadão eleito não fica devendo a ninguém".   Ele disse que inicialmente começou a discutir a reforma política e depois verificou que o Executivo não deveria tentar determinar aos políticos a discussão sobre o tema. "Mas a sociedade pode", afirmou Lula, que durante a reunião do Conselho foi cobrado para ter uma participação mais incisiva na reforma política. Segundo o presidente a sociedade pode constituir uma plataforma política sobre esse tema e fazer um debate com os partidos políticos.   Para o presidente a reforma política é necessária para que outras reformas sejam aprovadas. "A minha tese é que sem reforma política outras ficam mais difíceis", afirmou ele, destacando que reforma política é como reforma tributária: cada um tem a sua, mas que é possível encontrar um denominador comum.   Lula criticou ainda, durante discurso no CDES, as discussões sobre reforma trabalhista. Segundo o presidente, não é possível continuar, de uma lado, os empresários querendo rasgar a CLT e fazer tudo de novo, e do outro, os sindicalistas querendo manter a CLT e querendo acrescentar algo mais nela.   "Não dá acordo!", afirmou Lula, acrescentando que não é possível que o ex-presidente, Getúlio Vargas tenha tido a onipotência de em 1940 fazer uma lei que permanece até hoje, sem nenhuma mudança. Lula disse que é preciso trazer a legislação trabalhista para a realidade atual, principalmente em função das mudanças ocorridas no setor de serviços.   "Não temos que ter medo de discutir qualquer reforma", afirmou o presidente, lembrando que o Fórum da Previdência está discutindo mudanças na legislação. "Não sei onde vai dar, mas vai dar em alguma coisa", afirmou.

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