Reforma não mexe com peão, afirma Lula no ABC

A reforma da previdência "não mexe com peão", mas apenas com o setor público e não tem objetivo de prejudicar quem ganha pouco, mas de promover justiça social. O recado foi dado na noite desta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do "4º Congresso dos Metalúrgicos do ABC", na sede do sindicato da categoria, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O presidente comparou a realização das reformas (previdenciária etributária) com uma injeção de benzetacil. "Todo mundo já tomou umabenzetacil. Dói, mas cura", disse. "Vamos ter que aplicar algumasbenzetacis no País", complementou. Lula voltou a dizer não ser justo que um trabalhador rural, por exemplo, leve uma vida inteira para seaposentar, obtendo o benefício aos 60 anos de idade, enquanto que uma advogada da União se aposente aos 48 anos de idade. "Isso não é querer o mal de ninguém, mas apenas ter justiça", justificou. O presidente prometeu ainda iniciar em julho o "espetáculo docrescimento". "Quem faz política, sabe, como disse o companheiroPalocci (Antônio Palocci, ministro da Fazenda), que o País estava naUTI, quando assumimos. A perspectiva de 40% de inflação no ano não existe mais. Quando tomamos posse, não tinha US$ 1,00 para financiar as exportações", relatou. "Nem seis meses passaram e posso olhar na cara de qualquer companheiro e dizer que nunca, na história desse País, tivemos a credibilidade lá fora que conquistamos nesse período de governo". Para levar em frente o "espetáculo de crescimento", Lula disse que usará não apenas a credibilidade internacional, como também implementará programas como o do Primeiro Emprego, a reforma agrária, a criação de cooperativas de crédito para a agricultura, projetos que serão complementares aos já lançados Plano de Safra, pacote de micro crédito e a criação de uma empresa de consórcio ligada ao Banco do Brasil. No discurso que teve duração de 47 minutos, o presidente lembrou mais uma vez o seu tempo de sindicalista, quando presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no fim dos anos 70 e início dos 80, e disse que, diferentemente do período em que foi líder sindical, hoje tem mais tranqüilidade para exercer o poder. "Estou mais consciente, maduro e calejado. Me tornei presidente do sindicato quase por acaso, mas briguei muito para ser presidente da República", lembrou, para garantir posteriormente que ninguém vai conseguir fazê-lo "ficar nervoso". Lula deixou a sede do sindicato com destino à sua residência, nomunicípio de São Bernardo do Campo, onde passa a noite, e amanhã, às 8 horas, retorna à Brasília.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.