Imagem João Domingos
Colunista
João Domingos
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Reforma ministerial incluirá cargos em bancos

Para assegurar apoio à reeleição, Dilma vai pedir a partidos aliados substitutos para dirigentes da Caixa e do BB que vão disputar eleições nos Estados

João Domingos , O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2013 | 23h03

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff pretende utilizar na reforma ministerial de janeiro os postos políticos que serão abertos nos bancos oficiais com a saída dos titulares para disputar as eleições de 2014. A estratégia a ser utilizada na troca de cargos no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal é semelhante à da Esplanada: assegurar o apoio dos partidos à reeleição presidencial. Nesse sentido, os cargos que ficarão vagos devem ser preenchidos por pessoas ligadas às mesmas legendas, garantindo, assim, que os partidos aos quais pertencem possam apoiar a chapa que será encabeçada pela presidente Dilma Rousseff.

São pelo menos três vagas que ficarão em aberto até lá. A Caixa perderá o vice de Pessoa Jurídica, Geddel Vieira Lima, que sairá para se candidatar ao governo da Bahia pelo PMDB. Já o Banco do Brasil ficará sem o vice de Agronegócios, Osmar Dias, que deverá disputar o Senado pelo PDT do Paraná, numa coligação com o PT. Já o vice de Governo do BB, Benito Gama, será candidato a deputado pela Bahia. Presidente interino do PTB, Gama assumiu o posto em junho. Foi uma compensação para permanecer na base de Dilma Rousseff, pois tendia a se ligar à dupla Eduardo Campos/Marina Silva, do PSB.

O histórico dos postos distribuídos politicamente nos bancos registra a continuidade da ocupação partidária, embora com dança das legendas. Osmar Dias substituiu o hoje prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, do PMDB. Benito Gama entrou no lugar de Cesar Borges, do PR, que foi para o Ministério dos Transportes e garantiu o apoio do partido ao governo Dilma. Geddel Vieira Lima ocupou o lugar que foi do hoje ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, também do PMDB.

Dos três, há a possibilidade de este último ser o primeiro a sair. Ele é adversário declarado do governador da Bahia, o petista Jaques Wagner. Ele anunciou que vai disputar o governo contra o candidato de Wagner. E o governador já disse a Dilma que não vê sentido na manutenção de Geddel no posto, visto que ele é oposição.

Feudo. A Caixa é também um importante feudo do PMDB. O vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias é Fábio Cleto, apadrinhado do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Cleto teve vários desentendimentos com a direção do banco, quase foi demitido por Dilma, mas nas negociações com Eduardo Cunha (RJ) acabou sendo mantido no cargo.

Suas brigas com os petistas ocorreram principalmente por causa do comando do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com orçamento anual para investimentos superior a R$ 20 bilhões. A Caixa deverá receber ainda um integrante do PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, que na semana passada anunciou oficialmente o apoio à reeleição de Dilma. Foi o primeiro partido a fazer essa sinalização. A intenção era abrir a vaga para o aliado no início do ano, mas uma reação por parte do PT retardou o processo.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
ReformaministériosDilma

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.