Reforma faz técnicos do BC anteciparem aposentadoria

A decisão do governo de garantir aos atuais servidores públicos a aposentadoria integral no texto da reforma da Previdência em discussão no Congresso Nacional não deverá conter a debandada no quadro de técnicos do Banco Central. Segundo o diretor de Administração da instituição, João Antônio Fleury Teixeira, desde o início do ano, 112 funcionários já deixaram o BC e, até o final do ano, outros 730 deverão seguir o mesmo caminho. A grande maioria desses técnicos já pode se aposentar garantindo, em média, 80% do salário atual. Apenas 10% dos funcionários que reúnem condições para se aposentar este ano têm assegurado 100% do rendimento atual. Na avaliação do diretor, a disposição do governo de manter a integralidade dos rendimentos dos servidores da ativa não é um atrativo para segurar esses técnicos na instituição. Isso porque pelas regras de transição, eles teriam que trabalhar, em média, mais quatro anos para ter direito ao mesmo valor de aposentadoria. "Eles teriam que trabalhar mais para ter o que já têm direito hoje. Acho difícil essas pessoas ficarem só por causa da integralidade", disse Fleury.Para tentar cobrir o buraco que será deixado com a saída dos funcionários, Fleury já encaminhou pedido para o Ministério do Planejamento para realização de concurso público no ano que vem. A idéia é oferecer 600 vagas para analista, 25 para procurador e 180 para técnicos. Ainda assim, o diretor precisa contornar um problema que, nos últimos concursos, gerou evasão de 33% dos aprovados para outros órgão do próprio governo: o baixo salário de ingresso na carreira. O BC quer equiparar o salário inicial com os funcionários da Receita Federal.

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