Reforma deve avançar, apesar de Bolsonaro

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Coluna do Estadão, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2019 | 07h10

Antes mesmo de Jair Bolsonaro completar cem dias no Planalto, cresce a percepção de que ele perde a cada dia a condição de ser o indutor e protagonista de verdadeiras transformações estruturais. Porém, ainda não há terra arrasada. Alguma agenda modernizadora poderá avançar no Congresso, apesar do presidente. “A reforma da Previdência vem passando a cada mandato, cada um faz um pouquinho. Espero que desta vez ela dê um passo maior. Alguma coisa acho que vai passar. O Brasil cresce por cansaço”, resume Fernando Henrique Cardoso.

Velha guarda. O papel dos governadores e dos líderes mais experientes de DEM, PSDB, PSD e MDB, egressos de outras gestões, passou a ser crucial na sobrevivência da reforma da Previdência no Congresso. 

Fogo. Major Vitor Hugo (PSL) está balançando na liderança do governo. Uma ala dos governistas se convenceu de que sua saída se tornou urgente e faz gestões nesse sentido no ouvido de Onyx Lorenzoni. 

Vem.Os que querem a saída de Vitor Hugo já têm três nomes na manga para o lugar dele: um do PRB, um do PSL e um do MDB. Vão costurar com os presidentes desses partidos. 

Currículo.Com minicrises constantes e uma PEC para a ser aprovada, os deputados pedem alguém com mais experiências. Um parlamentar brinca: “Vitor Hugo é ótimo, mas para casar com a minha filha”. 

Ajuda.Enquanto permanece no cargo, Major Vitor Hugo vai pedir quatro consultores legislativos (um especialista em Previdência e três em direito constitucional) para auxiliar Marcelo Freitas (PSL-MG) na relatoria do tema na CCJ. 

Um dia...A novata Tabata Amaral (PDT-SP) ocupou a tribuna da Câmara nesta semana para criticar o ministro da Educação, Ricardo Vélez. Aos 25 anos, subiu achando que ia bombar, mas seus colegas sequer pararam para ouvi-la. 

... depois do outro.Na quinta-feira, no entanto, na Comissão de Educação, ela brilhou. No vis-à-vis com Vélez, enquadrou o ministro. O vídeo com o embate viralizou e o PDT já pensa em lançá-la a prefeita de SP.

Tem mais. A temperatura baixou um pouco, mas a fervura ainda não cessou completamente na relação do governo com o Congresso. Deputados convidaram representantes da Caixa, BB, BNDES, Petrobrás e dos Correios para explicar, dia 11 próximo, como ficarão os patrocínios culturais.

Vai entender.O requerimento foi aprovado com apoio do PSL, partido do presidente Bolsonaro.

Te prepara. Paulo Guedes não deve esperar vida fácil esta semana na CCJ, avisa parte do Centrão.

Azeitando. Coube ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), a difícil tarefa de convencer Ciro Gomes (PDT) a se juntar ao grupo Unidade Progressista, do qual Fernando Haddad também participa. Nesta semana eles participarão de evento em Harvard. 

Para doer no bolso. O governador João Doria (PSDB-SP) vai aumentar o valor da multa que cobra dos secretários que chegam atrasado às reuniões, de R$ 200 para R$ 400. O secretário com recorde de atrasos é Alexandre Baldy (Logística e Transportes).

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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