‘Reforma da Previdência não seria aprovada hoje’, diz Rogério Rosso

‘Reforma da Previdência não seria aprovada hoje’, diz Rogério Rosso

Candidato à presidência da Câmara desconversa sobre possibilidade de sair da disputa e fala em ‘desprendimento para evitar racha da base’

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2017 | 05h10

O deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) tenta pela segunda vez se eleger presidente da Câmara. Na primeira, em julho, perdeu para Rodrigo Maia (DEM-RJ) por 285 votos a 170 no segundo turno. Na ocasião, seus votos deram a dimensão do tamanho real do Centrão, bloco de deputados criado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso pela Operação Lava Jato. Presidente da Comissão Especial que analisou o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, Rosso chega sem a mesma força desta vez. Em entrevista ao Estado, sem negar, ele desconversou sobre a possibilidade de deixar a disputa em nome da unidade da base do governo Michel Temer.

Vai ser difícil aprovar a reforma da Previdência na Câmara?

É uma das mais importantes do ponto de vista do ajuste fiscal, mas tenho convicção de que, se o texto fosse a plenário hoje, não seria aprovado. 

Por quê? 

Por causa da idade mínima, regras de transição. Não podemos correr o risco de não ter um texto eficiente do ponto de vista do ajuste e viável do ponto de vista da justiça social. Vai ser aprovada em 2017, mas sem atropelo, sem correria. 

O que precisa mudar? 

Tempo de contribuição. Em vez de 65 e 60 ([ITALIC]anos de idade mínima[/ITALIC]), porque não 58 e 60 e com uma transição a partir da promulgação da PEC de acordo com a expectativa de vida do brasileiro. 

O senhor indicou algum aliado para o governo Temer? 

O próprio ministro (Ricardo Barros)desmentiu isso. O Ministério (da Saúde) também negou veementemente. É uma mentira. 

A bancada do PSD, seu partido, está fechada com o senhor?

Fizemos uma reunião no fim do ano passado com a bancada e a presença do ministro Gilberto Kassab. Lançaram lá minha candidatura, mas faço uma avaliação diária. É preciso ter desprendimento para evitar um racha na base. 

Quando o senhor fala em desprendimento para evitar racha, significa que pode desistir?

Esta eleição é atípica por causa da judicialização. O artigo 57 da Constituição veda a recondução do mesmo presidente para outro biênio. Isso por si só gera uma instabilidade jurídica e institucional, já que o presidente da Câmara será, nos próximos dois anos, quase um vice-presidente.

Mas o senhor cogita ou não desistir?

Vou buscar o consenso e ideias para melhorar a performance do Parlamento. 

O Centrão ficou enfraquecido após a prisão do deputado cassado Eduardo Cunha?

O PSD nunca fez parte do Centrão. Em 2015, o PSD ficou com o Arlindo (Chinaglia, do PT), que era a chapa adversária à de Cunha na eleição da Mesa. Eu, como líder do partido, tive uma relação institucional com o presidente da Casa, seja ele quem for. Essa não é uma eleição dos partidos do centro contra a antiga ou a nova oposição. Essa é uma eleição dos 513 deputados. O voto não é por bloco ou partido, mas individual.

Avalia que o Palácio do Planalto apoia veladamente Maia?

Tenho convicção de que não. Se existem auxiliares do presidente Temer fazendo isso, eles estão desrespeitando a orientação do chefe.

O que pretende fazer se for protocolado um pedido de impeachment do Temer?

Vou cumprir a Constituição. 

A Constituição diz que é a decisão de abrir o processo é do presidente da Câmara...

Pedidos sem nenhum embasamento não serão aceitos. Se houver embasamento serão aceitos. 

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