Reforma agrária cria programa para ex-presidiários

Presos em regime aberto ou semiaberto poderão receber treinamento para plantar ou fabricar peças de artesanato e, quando saírem da cadeia, receberão do Pronaf, o programa de financiamento da agricultura familiar, empréstimo de R$ 500,00 para iniciar uma nova atividade. Quem está preso hoje e comprovar que, por pelo menos cinco anos, trabalhou na lavoura, poderá ser incluído no programa de reforma agrária do governo e ter direito a assentamento. Quem aderir ao programa, anunciado pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Justiça, terá redução de pena. O financiamento será pago em dois anos e haverá desconto de R$ 150,00. Por duas semanas, a partir 2 de maio, o governo distribuirá formulários nos presídios para quem quiser se cadastrar. Neste período, estarão suspensos os cadastramentos por meio dos Correios para os interessados no porgrama de reforma agrária.O projeto que beneficia presos foi batizado de Crisálida, fase em que uma lagarta se transforma em borboleta. "É como diz o dito popular: cabeça vazia, laboratório do diabo", comentou o ministro do Desenvolvimento Agrário, José Abrão. Segundo ele, durante dois anos, o governo aplicará R$ 6 milhões neste programa que visa à inserção do detento na sociedade. Abrão define o programa como um preparo para que o condenado volte a se movimentar em liberdade e volte a existir no mundo livre com dignidade. "No presídio, há um engessamento da alma."O ministro da Justiça, Miguel Reale Junior, garante que a assistência ao egresso é mais barata para a sociedade do que um novo crime. A reincidência entre os presos do regime semi-aberto varia de 60% a 70%, segundo o ministro. Ele promete financiar a construção de presídios agroindustriais a um custo de R$ 1 milhão, para abrigar até 250 presos, e contribuir com o projeto Crisálida.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.