Reestatização divide opiniões no Senado

A afirmação do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de que as empresas do setor elétrico eventualmente privatizadas pelo atual governo serão reestatizadas caso seu partido vença as eleições do ano que vem foi recebida com surpresa pelos senadores. "Não entendi o porquê da preocupação exclusivamente com o setor elétrico", questionou o senador Geraldo Melo (PSDB-RN), lembrando que a maior parte das privatizações em outros setores já ocorreu sem que os "cataclismos que se anunciaram" fossem confirmados.O senador Lauro Campos (PDT-DF) disse ter ficado satisfeito com a declaração de Lula, que, segundo ele, ainda não havia se manifestado de maneira "radical? em relação a muitos problemas do País. "É um sintoma de que o candidato Lula - cuja principal preocupação tem sido não assustar e garantir a posse - está acordado", avaliou Campos, observando que deixou o PT por causa da "sorotização" do partido - uma referência à recente demonstração de simpatia do ex-governador petista do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, pelo megainvestidor George Soros. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), pré-candidato do PMDB à Presidência da República, disse que concorda com Lula na avaliação de que o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria suspender toda a privatização do setor elétrico. Mas considera que, ao invés de se propor reestatização, o mais razoável seria investigar de que maneira foram feitas as privatizações neste governo. "Usaram muita moeda podre, dinheiro do BNDES e dos fundos de pensão, ou seja: usaram dinheiro público para vender as estatais para as multinacionais", acusa Simon, lembrando que a ex-diretora de privatização do BNDES, Elena Laudau, preparou o Plano Nacional de Desestatização e depois foi trabalhar para um banco que deu consultoria às empresas interessadas na privatização.

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