Reeleição vira ‘patinho feio’ do legado de FHC

Privatizações e ajuste fiscal voltam ao discurso tucano, mas a emenda que permitiu o segundo mandato é questionada na busca por futuros aliados

Julia Duailibi e Gabriel Manzano - O Estado de S.Paulo,

04 de maio de 2013 | 17h10

Em 1997, o então presidente Fernando Henrique Cardoso mobilizou o PSDB para aprovar a emenda da reeleição, que lhe garantiu mais um mandato. Na época, os tucanos, de forma quase consensual, se movimentaram para garantir sucesso na aprovação da proposta. Hoje, após 16 anos, a reeleição virou uma espécie de "patinho feio" do legado de FHC.

Após três disputas presidenciais em que o partido titubeou na defesa de políticas implementadas pelo ex-presidente, em 2011 os tucanos passaram a defender o resgate do que chamam de "herança bendita" de sua gestão. No cardápio entram privatizações, reestruturação do sistema financeiro e estabilização da economia. Mas não a reeleição, que se tornou um escândalo do governo FHC, após denúncias de que deputados haviam recebido dinheiro para aprová-la.

Há dez dias, o Estado revelou que o senador e presidenciável tucano Aécio Neves (MG) é a favor do fim da proposta, com fixação de mandato de cinco anos. Outros dois ex-presidenciáveis da sigla também defenderam o fim da reeleição: José Serra, em 2010, e Geraldo Alckmin, em 2006. A tese de que a reeleição não funcionou encontra respaldo entre outros líderes do PSDB, como o ex-governador Alberto Goldman e o presidente do partido, Sérgio Guerra.

As críticas à reeleição vão da competição desigual entre os atores políticos à aversão a medidas impopulares, mas necessárias, pelos candidatos a mais um mandato. Mas há outra razão. Quando entoam o discurso contra a reeleição, os presidenciáveis buscam uma aliança, nem sempre tácita, com os demais postulantes ao cargo. Foi assim com Alckmin e Serra. E agora com Aécio e o presidenciável do PSB, Eduardo Campos.

"Os candidatos interessados são todos da mesma faixa etária, ali pelos 50 anos. É uma espécie de combinação, cada um promete ficar menos no poder, para dar vez a outro", afirma o ex-líder do governo tucano na Câmara Arnaldo Madeira.

Para José Arlindo Soares, cientista político do Centro Josué de Castro, o discurso de Aécio pode ser "um recado para possíveis aliados potenciais do PSDB, do tipo: ‘Fiquem calmos, pois logo depois faremos o revezamento do poder entre aliados’".

Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC, é contra o fim da reeleição. "Tira o eleitor de cena durante cinco anos. Eu não acho que os políticos estejam precisando de menos atenção. Estão precisando é de mais atenção do eleitor", afirma.

Para Madeira, a reeleição "está tendo êxito". "O que se percebe é que temos oito anos, com um plebiscito no meio", diz.

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