Reeleição no Congresso e verbas paralisam votações

A crise política entre governo e Congresso que está paralisando as atividades da Câmara tem uma origem não declarada: a reeleição dos presidentes das duas Casas Legislativas. Foi esse o sentimento dos líderes que participaram ontem do jantar na residência dopresidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Embora o assunto não tenha sido tratado explicitamente por João Paulo, a disputa pelo poder do principal posto da Câmara estaria causando o impasse, somando-se aodescontentamento com a liberação de verbas do Orçamento para emendas de parlamentares e o preenchimento de cargos nos vários escalões do governo.No jantar, o PMDB, por meio do líder do partido, José Borba (PR), propôs que seja definida uma pauta até final do ano. Ou seja, o partido quer que fique explícita a decisão de João Paulo de incluir na pauta a votação daemenda que permite a reeleição até o final do ano. O PMDB manifestou ainda contra a aprovação da medida provisória que dá status de ministro ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Diante do impasse, os líderes deixaram o jantar considerando que seria constrangedor participar de um almoço hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio a tantos conflitos internos da base aliada. "Não é reunião que resolve o problema ", avaliou o líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA) queassistiu de camarote a briga interna dos aliados de Lula estampada no jantar. " Fiquei calado todo o tempo", contou.Segundo fontes do Palácio do Planalto, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, játeria conseguido liberar R$ 260 milhões do Orçamento esta semana e empenhar outros R$ 100 milhões. Mesmo assim, os parlamentares não se convenceram. " Ou o governo muda a prática com a execução orçamentária eno tratamento político ou ficará fragilizado em qualquer votação", disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).

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