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‘Reduzir o número de ministérios não contraria o governo’

Leonardo Picciani, líder peemedebista na Câmara, segue os passos do aliado Eduardo Cunha, mas com estilo menos beligerante

Luciana Nunes Leal - Rio, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2015 | 03h00

Em outubro de 2002, aos 22 anos, Leonardo Picciani (PMDB-RJ) foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal com a bagagem da militância estudantil e da convivência com o pai, o deputado estadual Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio. Em fevereiro passado, no quarto mandato e aos 35 anos, Picciani assumiu a liderança do PMDB, em substituição ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), eleito presidente da Câmara.


Na disputa pela liderança, Picciani venceu Lúcio Vieira Lima (BA) por apenas um voto. Foi beneficiado pelo empenho do prefeito do Rio, Eduardo Paes, do governador Luiz Fernando Pezão e do ex-governador Sérgio Cabral, que atuaram como cabos eleitorais. Por causa da influência de Cunha sobre Picciani, deputados brincam que o presidente da Câmara “acumula a função de líder”.

Picciani faz o mesmo discurso de independência do Congresso, mas tem estilo menos beligerante que o antecessor. Como líder, entre 2013 e 2014, Cunha impôs derrotas à presidente Dilma Rousseff e manteve a mesma estratégia no comando da Câmara. “As pessoas são diferentes, temos estilos absolutamente distintos. Eduardo tem perfil mais agitado, eu tenho perfil mais conciliador. Não é mérito de um nem de outro, é apenas estilo”, disse.

Na mesma linha do presidente da Câmara, Picciani defende a votação de temas problemáticos para Dilma, como a emenda à Constituição que obrigaria o governo a reduzir a quantidade de ministérios de 38 para 20. “Reduzir o número de ministérios não significa contrariar o governo. É demonstração de comprometimento com as contas públicas”, sustenta Picciani. O fato de o PMDB correr o risco de perder cargos não é problema para o partido, diz.

Em um ponto de diferença com o evangélico Cunha, Picciani, católico não praticante, não abraça bandeiras como o combate ao casamento gay e à legalização do aborto. “Essa não é uma pauta à qual eu me dedique.” Se assuntos como esses chegarem ao plenário da Câmara, Picciani diz que levará a discussão à bancada. “O que for posição majoritária da bancada será encaminhado. Se houver divisão muito grande, cada deputado será liberado a votar como preferir”, afirmou.

Segundo ele, a regra “vale para todos os temas”, inclusive a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, emenda à Constituição já aprovada na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), com voto da maioria dos peemedebistas. O governo e o PT são contra, assim como o vice-presidente Michel Temer (PMDB). A proposta será analisada em comissão especial e passará por duas votações no plenário. Eduardo Cunha prometeu celeridade.

“Pessoalmente, não creio que a redução da maioridade pura e simples seja suficiente, mas é preciso tratar dos casos mais graves. A sociedade exige que o tema seja discutido”, disse Picciani.

Nas eleições de 2014, Leonardo Picciani aderiu ao movimento dissidente do PMDB-RJ, presidido pelo pai, de apoio ao candidato do PSDB a presidente, Aécio Neves. Agora, porém, não engrossa o coro do impeachment. “A presidente venceu as eleições legitimamente. O PMDB tem a democracia em seu DNA”, disse ele, casado e pai de duas meninas e um menino.

Picciani reforça a tese da candidatura própria do PMDB à Presidência, que ganhou corpo com a deterioração das relações do partido com o PT.

“Defendo que o partido tenha candidato desde que eu presidia a Juventude do PMDB do Rio, em 2000. Hoje, Eduardo Paes seria o melhor nome, porque tem vitrine para mostrar, o governo transformador que faz no Rio.” 

O deputado não esconde a intenção de disputar a prefeitura, embora Paes já esteja em campanha pelo secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo. Picciani não polemiza. 

“Se o partido entender que meu nome é melhor, tenho esse interesse. Mas a decisão só se dará no ano que vem.”

Para Picciani, o papel de articulador político assumido por Temer não aumenta o comprometimento do PMDB com o governo, mas “confirma o compromisso com a governabilidade, que sempre existiu”. O diálogo entre Congresso e governo será mais fácil, diz. “O vice-presidente não é um subordinado, não é um ministro. Se não der certo, vai botar quem no lugar? Não há outro caminho.” 

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