Redução ensinaria governo a gastar menos, diz Gerdau

Industrial recomenda à administração pública adotar filosofia de elevar produtividade com menor despesa

Gerusa Marques, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, propôs ontem a redução gradual da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que está hoje em 0,38%. Segundo Gerdau, essa seria uma maneira de o governo começar a controlar seus gastos e melhorar a eficiência da máquina pública."Tem de se criar, em toda a gestão pública, uma filosofia de aumento da produtividade e de diminuição de gastos", disse o empresário, logo depois de participar de um painel do 2º Encontro Nacional da Indústria, em que foi discutida a agenda do crescimento econômico.Durante o debate, Gerdau afirmou que a CPMF pode ser um instrumento "fantástico" para educar o governo. Em sua avaliação, enquanto houver expectativa aumento de receita, não se trabalha para reduzir as despesas. "Quando existe a expectativa de que vai haver diminuição de receita, mesmo que seja pequena e gradativa, você passa a ajustar seus gastos na busca de produtividade e eficiência."Gerdau disse que o governo precisa aprender a "fazer mais com menos" e sugeriu que, enquanto ele não atingir eficiência, a sociedade não deve pagar nem um centavo a mais de imposto. "É igual mesada de filho de pai rico: se não cortar, ele não procura emprego", comparou.O empresário reconheceu que a máquina administrativa não está preparada para enfrentar um corte no Orçamento-Geral da União equivalente à receita da contribuição - a estimativa de arrecadação com a CPMF para o ano que vem está na casa dos R$ 40 bilhões. Por isso acredita que a redução da alíquota deve ser gradual. Mas insistiu: "Estou mais preocupado em que se mude a mentalidade no setor público."O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, que também participou do encontro, concordou com a proposta de redução gradual da alíquota da contribuição. "Ao reduzir a CPMF, ou outro imposto, vai se criando para os próximos governos e para os próximos Orçamentos a adaptação que deve ser feita", argumentou. Para Godoy, uma redução da alíquota serviria como sinal de diminuição gradual da carga tributária e de melhor aplicação dos recursos dos impostos.PESQUISAPara empresários dos 538 sindicatos industriais, as medidas adotadas para reduzir a carga tributária estão estacionadas e não houve avanço nos dez temas considerados prioritários para garantir o crescimento sustentável do Brasil. As conclusões são de pesquisa realizada nos últimos três meses pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os resultados foram apresentados ontem durante o 2º Encontro Nacional da Indústria.Segundo o levantamento, 46% consideram que houve retrocesso na redução da carga tributária e 32% não identificaram mudanças. As perguntas abordaram assuntos sobre infra-estrutura, financiamento, desburocratização, inovação, educação, política comercial e de acesso a mercados, redução de gastos públicos, tributação, relações do trabalho e meio ambiente.

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