Rede Social aponta violações dos direitos humanos

A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos divulgou, nesta quarta-feira, em São Paulo, o "Relatório de Direitos Humanos no Brasil 2001" e, mesmo sem apresentar números, afirmou que, este ano, foi marcado por poucas conquistas, muita violência e impunidade. O documento responsabiliza as polícias militares por esse quadro e critica a omissão dos governos federal e estaduais.Em cinco capítulos, são relatados a violência urbana, rural, as desigualdades raciais, o trabalho escravo e os resquícios do período militar ainda presentes no cotidiano das Forças Armadas.Segundo a jornalista Maria Luisa Mendonça, diretora da Rede Social, o trabalho não quantifica a atual situação do Brasil por falta de dados sobre o assunto."Nosso objetivo nem é mesmo este, já que existem poucos dados disponíveis. Ainda assim é possível estabelecer comparações com o que foi relatado no relatório do ano passado" explicou.Para ela, a comparação entre os dois relatórios evidencia pouca ou nenhuma vontade política para resolver a situação das terras indígenas e o aumento do número de assassinatos de trabalhadores rurais - de 16, no ano passado, para 23, até novembro deste ano.Segundo a jornalista, entre as regiões onde a violação dos direitos humanos cresceu estão o Paraná, em especial na questão dos trabalhadores rurais, São Paulo e o sul do Pará.Entre os relatos do livro está o da manifestação ocorrida em abril, na Avenida Paulista, contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) que resultou em 69 pessoas presas, das quais 40 menores, e pelo menos 100 pessoas feridas."A imprensa não mostrou nem de longe as barbáries que aconteceram ali. A forma com que aquela manifestação foi reprimida pela polícia não ficou nada a dever à época da ditadura", disse o jornalista José Arbex Jr., autor do relato sobre este episódio. "O que se nota é que existe uma operação centralizada da PM contra qualquer tipo de manifestação", acrescentou.Em São Paulo, o relatório pode ser encontrado na Editora Expressão Popular (Rua Vicente Prado, 134, Bela Vista, tel. 3105-5087, e-mail: editorapopular@uol.com.br). O preço é R$ 10,00.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.