Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Rede propõe novas eleições e solicita ao TSE entrada em processo contra chapa de Dilma e Temer

PPL e PSB também assinam petição e querem contribuir com denúncias sobre as eleições presidenciais; lançamento de campanha da Rede acontece em Brasília

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2016 | 14h44

BRASÍLIA - Marina Silva, candidata à Presidência da República em 2014 e atual líder da Rede Sustentabilidade, participa na tarde desta terça-feira, 5, do evento do partido que lança a campanha "Nem Dilma, nem Temer, nova Eleição é a solução". O ato, realizado em Brasília, prega a realização de novas eleições como solução para "o impasse da crise política do País". A legenda entregará nesta terça uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), junto com o PPL e o PSB, solicitando sua entrada como "amicus curiae" no processo que pede a cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer.

Com o documento, as siglas querem contribuir com denúncias de fraude e abuso de poder político e econômico que teriam ocorrido nas últimas eleições presidenciais. Representantes da Rede acreditam que o julgamento do TSE pode ocorrer ainda este ano. "A chapa Dilma/Michel não teve mandato legitimamente adquirido, é preciso impugnar esse mandato e devolver o voto ao povo. Vamos para as eleições diretas", declarou o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ). 

Em seu discurso, Marina afirmou que Dilma só não renuncia ao cargo porque "não é razoável para entender a magnitude da crise" e que o impeachment não é um golpe.

"Está nas mãos do TSE. Se ficar comprovado que o dinheiro do Petrolão foi usado para as eleições, de forma espúria, há de se cassar a chapa", disse Marina. Para ela, o processo de impeachment "cumpre com a legalidade, mas não com a finalidade". A saída pelo TSE, defendeu Marina, "é o caminho ético". "O que cumpre com a formalidade e alcança a finalidade de dar um novo rumo para a nação, de repactuar as bases para a saída da crise, é o TSE, são as novas eleições. Os ministros do TSE poderão devolver a 200 milhões de pessoas a possibilidade de reparar o erro a que foram induzidos a cometer."

Marina negou as acusações de que sua defesa pela cassação dos mandatos de Dilma e Temer seja oportunista e defendeu que o candidato que for eleito nas novas eleições, em um período de dois anos, não deverá se candidatar novamente nas eleições de 2018. "O governo só não cai porque não tem para onde cair. O que está aí já não tem legitimidade e o que pode vir não tem factibilidade de resolver a crise." Marina destacou pesquisas recentes que indicam que Temer possui baixa popularidade, mas que a maioria da população quer novas eleições.

Para a criadora da Rede, "o PMDB é igualmente responsável pela crise", junto com o PT. "O presidencialismo de coalizão já deu o que tinha que dar. É preciso sair desse sistema baseado na distribuição de pedaços do Estado, para um presidencialismo de propostas, em cima de programas, de projetos. Se o PPS tem um grande quadro para a educação, ele tem que ser apresentado. Se o PSDB tem um bom quadro para economia, é ele que tem que ser apresentado. E assim por diante. Não é para arranjar um pedaço de um ministério para fazerem falcatruas. Tem que ser um governo programático, com isso, você pode compor a maioria no Congresso."

O PPS também apoia o ato da Rede, com a presença do líder do partido, o senador Cristovam Buarque (DF) e do deputado federal Arnaldo Jordy (PA). "Dilma cometeu o crime de responsabilidade duas vezes quando escolheu Temer como (vice)-presidente", disse Buarque.

Para o senador, as alternativas de poder atualmente não atendem ao que a população quer e só uma nova eleição permitirá soluções de um novo modelo econômico e social no Brasil. Também participam do ato o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a ex-senadora Heloisa Helena (Rede-AL).

Apesar de a Rede ainda não ter declarado um posicionamento sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Marina destacou que, para ela, o processo de impedimento não é "golpe", nem pode ser "fabricado". "É um processo político que tem se explicitado cada vez mais com os fatos que vêm sendo trazidos pela Lava Jato", opinou. "Existem muitas formas de golpear a democracia e uma delas é a promiscuidade entre o interesse privado e aqueles que deveriam defender a República". Para ela, "é preciso que a justiça tenha sentido de urgência", pois o País vive um momento de "emergência política, social e econômica".

O deputado Miro Teixeira afirmou que vai votar a favor do afastamento da presidente no plenário da Câmara dos Deputados. Da mesma forma pensa o parlamentar João Derly (Rede-RS). 

Já o ex-petista Alessandro Molon (Rede-RJ) é contra a admissibilidade do processo de impeachment na Casa. A cadeira do partido na Comissão Especial do Impeachment é de Aliel Machado (Rede-PR), que diz ainda esperar orientação do partido para votar no colegiado. Por enquanto, a Rede não oficializou posicionamento em relação ao procedimento.

Lava Jato. A criadora da Rede disse ainda que considera um erro tratar a justiça como um ato de vingança, elogiando o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e do juiz Sergio Moro na condução da Operação. Para ela, só com o apoio da justiça a política conseguirá "recuperar a credibilidade para que políticos fora dos esquemas de corrupção possam governar". "Eu costumo repetir que, em uma democracia, quando a política se sente impotente para resolver seus problemas, e se as instituições de fato estão funcionando, ela acaba pedindo ajuda da justiça."

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