Rede pesquisará remédios para doenças negligenciadas

Uma rede internacional de pesquisaserá lançada até dezembro para combater um problema de saúdemundial: a falta de medicamentos eficazes para doenças comomalária, leishmaniose e mal de Chagas. O objetivo é reiniciarestudos com substâncias potencialmente úteis, mas que tiveramseu desenvolvimento interrompido por falta de interesseeconômico das indústrias farmacêuticas. A partir daidentificação, formar uma cooperativa dos centros de estudo,cada um encarregado de etapas distintas do projeto, até chegar àprodução do remédio para o consumidor. A idéia surgiu da organização Médicos Sem Fronteiras,que em 1999 fez um estudo sobre doenças negligenciadas - aexpressão dada para os males que matam anualmente milhões depessoas, mas que não têm tratamento eficazes disponíveis. "Apopulação atingida é tão pobre que não conseguiria arcar com opagamento de qualquer tratamento. Sem mercado atraente, não hápesquisa", resume Michel Lotrowska, representante da MédicosSem Fronteiras. Os números impressionam. A começar pelo uso dosmedicamentos. Os países em desenvolvimento são responsáveis porapenas 20% das vendas mundiais de remédios. Mas nesses paísesvivem cerca de 80% da população mundial. De acordo com o estudo,nos últimos cinco anos nenhuma droga para doenças consideradasnegligenciadas foi lançada no mercado. Para reverter o problema, formou-se um grupo encarregadode angariar recursos para desenvolvimento da pesquisa eidentificar centros capazes de desenvolvê-las. Os fundadoresdessa nova instituição, DND-I (a sigla em inglês de Iniciativade Drogas para Doenças Negligenciadas) já foram escolhidos. Alémdo Médicos Sem Fronteiras, fazem parte a Fundação Oswaldo Cruz,o Instituto Pasteur, o Conselho Indiano para Pesquisas Médicas eo Ministério da Saúde da Malásia.ProjetosEmbora o lançamento do DND-I esteja previstopara dezembro, quatro projetos-piloto já foram iniciados, comrecursos da Médico Sem Fronteiras. Um deles é coordenado peladiretora da Farmanguinhos, Eloan dos Santos Pinheiro. A pesquisaavalia o potencial tóxico da associação de duas drogas para otratamento da malária. Pelos cálculos da diretora, o trabalhodeverá terminar em 2003. Em outra etapa, os dados serãoanalisados em uma instituição na Malásia. "É a grande saída:parcerias para desenvolvimento de remédios", diz Eloan. Além da Farmanguinhos, outro centro, em Bordéus, estáavaliando a associação de mais duas drogas, também para otratamento da malária. Há ainda um grupo pesquisando umasubstância para leishmaniose. O vice-presidente da FundaçãoOswaldo Cruz, Paulo Gadelha, um dos integrantes da DND-I nãoesconde seu entusiasmo. "Não há uma fórmula pronta. A cadaprojeto, serão escolhidas instituições de melhor perfil paracada etapa", diz.

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