Polícia Civil
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Rede de 'proteção' a capitão Adriano era monitorada há mais de um ano pelo MP

Investigadores do Rio já investigavam quem dava apoio ao miliciano, suspeito de ligação com morte de Marielle, que estava foragido da Justiça havia 14 meses

Caio Sartori e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2020 | 15h44

RIO - O Ministério Público do Rio trabalhou em colaboração com os investigadores da Bahia para capturar Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, que foi morto na manhã deste domingo, 9, após troca de tiros com a polícia baiana. Em resposta a perguntas feitas pelo Estado, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmou que monitorava há mais de um ano "a rede de proteção e os possíveis paradeiros" do miliciano. Ao descobrir que ele poderia estar na Bahia, pediu ajuda ao MP daquele Estado. 

A nota também explica que o MP do Rio tinha conhecimento da operação desta manhã, ao mencionar que foi o Gaeco da Bahia quem obteve na Justiça a autorização. "Em razão do local do fato, as circunstâncias da morte do foragido da Justiça serão apuradas pelas estruturas locais", disse o órgão fluminense. 

A Polícia Civil do Rio de Janeiro também estava a par da operação. Dois policiais civis do Rio participaram da busca a Nóbrega. Segundo fontes da polícia baiana, no entanto, os policiais fluminenses não participaram do confronto que culminou com a morte do miliciano.

De acordo com essas fontes, a polícia da Bahia deu suporte à investigação que já vinha em curso há quase dois anos no Rio. As principais informações foram colhidas por policiais flumimenses que estavam no encalço de Nóbrega. 

Ainda segundo fontes da polícia baiana, os responsáveis pela investigação no Rio estavam monitorando as movimentações de Adriano, descobriram que ele estava na Bahia e pediram a colaboração. A partir de então o setor de inteligência da polícia baiana passou a integrar a investigação descobrindo que ele havia fugido da Costa do Sauípe, onde estava com a família em um condomínio, e se escondido em uma fazenda em Esplanada, no interior do Estado. 

A polícia da Bahia vai investigar agora possíveis ligações políticas do dono da fazenda onde Adriano foi morto.

Capitão Adriano era apontado como o chefe do Escritório do Crime, grupo miliciano que atua na zona oeste do Rio. Ele estava foragido desde janeiro de 2019, quando foi deflagrada a operação Os Intocáveis, que prendeu integrantes da milícia. 

Apesar dele não ser considerado envolvido na morte da vereadora Marielle Franco, o grupo é citado na investigação.

Outro caso emblemático no qual Adriano é citado é o que investiga a suposta "rachadinha" no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) quando ele era deputado estadual no Rio. A mãe e a ex-mulher do miliciano trabalhavam para Flávio, que já homenageou o ex-policial militar com a Medalha Tiradentes, mais alta honraria da Assembleia Legislativa (Alerj).

Nessa investigação do MP, os promotores afirmam que Adriano se beneficiava do dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos por meio da "rachadinha". 

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