Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro foi vítima de fraude no Chile, afirma Promotoria chilena

País vizinho abriu investigação contra 26 funcionários da rede Falabella, que identificou compras irregulares

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 18h46

A rede de lojas Falabella, gigante do setor de varejo no Chile, denunciou às autoridades do país 26 pessoas acusadas de utilizar dados pessoais e cartões de crédito do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos para fazer compras ilegais. Um inquérito sobre o caso foi aberto pela Promotoria chilena.

Além da investigação de fraude em cartões, o promotor responsável pelo caso, Jaime Retamal, pediu para que o caso seja apurado em um departamento especializado em cibercrimes da polícia chilena.

As fraudes tiveram início em dia 1º de junho, segundo a Promotoria. “Os denunciados seriam empregados ou membros de marcas vinculadas à Falabella”, informou a Promotoria Central Norte ao Estadão. “Abrimos uma investigação pelo delito de uso fraudulento de cartão de crédito, contra 26 pessoas imputadas por utilizar os cartões bancários do presidente Bolsonaro e seus filhos.” 

Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que “a informação em relação ao presidente não procede”, sem dar mais detalhes. 

Funcionários da Falabella teriam utilizado dados de cartões de crédito da família Bolsonaro para fazer compras ilegais no site da própria empresa onde trabalhavam. Segundo a imprensa chilena, as fraudes utilizaram os dados bancários do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do senador Flávio Bolsonaro, além do próprio presidente para comprar celulares, bicicletas e relógios. Caso fossem consumadas, as compras ilegais no esquema chegariam a 42 milhões de pesos chilenos, ou R$ 288 mil. 

A principal suspeita é que os empregados tenham conseguido acesso a informações pessoas da família do presidente na internet. Bolsonaro e seus filhos foram alvo de vazamentos de dados feito pelo grupo hacker Anonymous. Em 2 e 3 de junho, eles divulgaram em redes sociais números de telefone, endereços e documentos de identidade da família Bolsonaro e de ministros. 

Na época, Bolsonaro classificou a exposição de seus dados pessoais na internet como “uma clara medida de intimidação” e prometeu tomar “medidas legais”. Ainda de acordo com a imprensa chilena, no início de junho, usuários de redes sociais fizeram publicações dizendo que usaram dados do presidente brasileiro para comprar produtos pela internet.

O esquema foi descoberto recentemente pela Falabella pois os mesmos números de cartões de crédito teriam feitos múltiplas operações, por diversas pessoas, em um curto espaço de tempo. 

A empresa teria detectado 27 mil ordens de compra suspeitas em seu site que, somadas, chegaram a US$ 63 mil – nem todas envolviam a família Bolsonaro. Nas lojas de departamento da Falabella são vendidos desde computadores e smartphones até peças de roupa, eletrodomésticos e itens de decoração. 

A Falabella ressaltou que as  compras fraudulentas não foram completadas, e o esquema teria sido desbaratado sem que o dinheiro tenha sido efetivamente usado. “A situação foi oportunamente detectada”, disse o advogado da empresa, Matías Balmaceda, ao jornal chileno El Mercurio. “Todas as solicitações foram recusadas graçaas à ativação do protocolo de validação de compra.” 

No Chile, as penas para o crime de fraude em cartão de crédito vão de 541 dias até cinco anos de prisão. O réu também pode ser condenado a pagar multas que chegam ao triplo do valor fraudado. A lei que define as punições para este tipo de fraude no país foram alteradas no primeiro semestre. Em caso de fraude, a empresa que emite o cartão tem de cinco a 12 dias úteis para restituir o valor. 

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