Rede ‘canetou’ coligações em 39 cidades

Partido impugna candidatos da própria sigla em locais que desobedeceram ao comando nacional; opção é por chapas puras

Pedro Venceslau, Guilherme Duarte e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2016 | 19h06

A Rede Sustentabilidade teve de intervir para impedir alianças contrárias ao programa do partido. A legenda de Marina Silva pediu na Justiça Eleitoral a impugnação da própria sigla em 39 cidades que desobedeceram ao comando nacional. 

“Esse é um procedimento convencional nos partidos quando o diretório municipal não segue uma regra do estadual ou nacional. São diversos os motivos”, afirmou o porta-voz José Gustavo Barbosa Silva. 

“A gente canetou coligações sem identidade com a Rede ou que tinham algum tipo de irregularidade”, acrescentou o dirigente. Apesar de parte dos militantes defender o veto a agremiações como PSC e PT, o partido não estipulou uma restrição automática à aliança com nenhuma legenda específica, mas tomou algumas precauções para evitar surpresas desagradáveis. Uma resolução, por exemplo, proibiu coligações com pessoas que tenham “comportamento autoritário e antidemocrático, sectário ou de gênero”. 

Essa decisão foi tomada após uma polêmica na ala jovem da Rede. O grupo rechaçou a aproximação, em Guarulhos, com o PSC, partido Jair Bolsonaro e Marco Feliciano. Segundo José Gustavo, a articulação com o PSC foi, na verdade, um boato disseminado para prejudicar o partido. Em Guarulhos, a Rede aliou-se ao PSB. 

Solitários. Apesar de não proibir alianças automáticas com nenhum partido, a Rede Sustentabilidade optou por disputar sozinha na maioria das cidades. É o caso de São Paulo, onde o vereador Ricardo Young concorre à Prefeitura sem a retaguarda de nenhuma outra legenda. Young, no entanto, não registrou nem 1% de intenção de votos nas pesquisas. 

Em apenas três das 10 capitais, a sigla lançou candidaturas coligadas com outros partidos, sendo a maior frente em Macapá. No Rio de Janeiro, por exemplo, o deputado Alessandro Molon está coligado com o PV. 

Na capital do Amapá, única governada pela Rede, Clécio Luis concorre em uma chapa que reúne partidos díspares. Estão no mesmo palanque PCdoB, DEM, PSDB, PTdoB e PPL. 

Em plano nacional, os partidos com maior afinidade, em tese, com a legenda de Marina Silva são o PSOL, PSB, PV e PPS. 

Alianças. Para a professora de política da PUC-SP Vera Chaia, a dificuldade da Rede em fazer alianças regionais decorre principalmente de sua rigidez programática. “Se isso de um lado preserva o aspecto ideológico do partido, de outro dificulta a viabilidade de suas candidaturas”, disse. “Se isso (dificuldade em fazer alianças regionais por rigidez programática) de um lado preserva o aspecto ideológico do partido, de outro dificulta a viabilidade de suas candidaturas. Não reverte, no entanto, em votos”, afirma a professora da PUC.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.