Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Rede busca sobrevivência com PSOL e Marina deve disputar vaga de deputada

Partidos tentam formar federação partidária para superar cláusula de barreira e continuar operando no Congresso

Pedro Venceslau e Levy Teles, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2021 | 18h37
Atualizado 24 de dezembro de 2021 | 11h46

Depois de receber 1% dos votos em sua terceira tentativa de chegar à Presidência da República em 2018, a ex-senadora Marina Silva deve disputar uma vaga de deputada federal em 2022, enquanto seu partido, a Rede Sustentabilidade, tenta formar uma federação partidária com o PSOL para superar a cláusula de barreira e continuar operando no Congresso depois das eleições do ano que vem.

A decisão de Marina Silva ainda não foi oficializada nas instâncias do partido, mas já é tratada como um fato consumado nos bastidores da Rede. "(A candidatura) ainda está em avaliação. Marina é a nossa principal liderança nacional. Sem dúvida seria muito orgulho ter Marina e Heloísa (Helena) no Congresso Nacional em 2023", disse ao Estadão o porta-voz nacional da Rede, Wesley Diógenes.

Quando questionado se a Rede pretende ter candidato a presidente em 2022, Diógenes respondeu que a prioridade nacional é a eleição de deputados federais. "Estamos trabalhando para Heloísa (Helena) ser candidata (a deputada) pelo DF. Ela já mora aqui há 2 anos. Também existe um convite para ela ser candidata pelo Rio de Janeiro".

"Não tem sido fácil tomar a decisão, pois nunca pensei disputar fora de Alagoas, mas como sempre digo pra mim mesma, olhando minhas dolorosas cicatrizes: Nunca esqueça de suas raízes, mas lembre que elas não são âncoras na sua jornada", disse Heloísa Helena ao Estadão.

A construção da federação com o Psol esbarra em um obstáculo político. A Rede faz oposição sistemática ao PT desde sua fundação, enquanto o partido de Guilherme Boulos caminha para a decisão de apoiar o ex-presidente Lula em 2022.

Casamento

A cláusula de barreira ou de desempenho, como também é chamada, tem o objetivo de impedir ou restringir o funcionamento do partido que não alcançar determinado porcentual de votos na eleição para a Câmara dos Deputados. A meta é reduzir gradativamente o número de legendas – são 33 hoje.

Para cumprir a regra, cada partido terá de alcançar o mínimo de 2% dos votos válidos em 2022, ou eleger 11 deputados em pelo menos um terço das unidades da Federação. Por esse critério, a Rede é um dos partidos que corre sério risco de ficar fora do jogo político do Congresso em 2022, ou seja, sem direito a cargo em comissões, cadeira no colégio de líderes e demais postos de relevância na Casa.

Além disso, os partidos que não conseguirem ficam sem acesso ao fundo público que custeia os gastos das siglas e também sem o tempo de rádio e TV no horário eleitoral. Na eleição de 2018, 14 siglas não conseguiram cumprir essa condição. Foi pensando nisso que a legenda fundada por Marina abraçou o pragmatismo e discute formar uma federação com o PSOL.

"A Executiva Nacional da Rede decidiu, por unanimidade, iniciar oficialmente tratativas com o PSOL para analisar a possibilidade de Federação, além de continuar dialogando com alguns Partidos do campo democrático-popular. A decisão dar-se-á apenas após essas reuniões e deverá ser, obrigatoriamente,  aprovada no Elo Nacional", disse o porta-voz do partido.

Em nota, a equipe de comunicação de Marina Silva disse que ela ainda não se manifestou sobre a possibilidade de ser candidata e que tenta construir uma alternativa, no campo progressista, à polarização entre Lula e Bolsonaro. "(Marina) Está  trabalhando também, junto com a direção da REDE, no sentido de ajudar no fortalecimento de suas nominatas proporcionais em todas as unidades da federação com vistas às eleições do ano que vem. Por fim, está contribuindo com o debate interno sobre possibilidade de a Rede fazer federação ou não com outros partidos do campo democrático, com os quais a Rede vem mantendo diálogos."

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