Recuperação do Congresso fracassou, diz <i>Economist</i>

Famosa por seu texto preciso e por um estilo que consegue ser contundente sem perder a elegância, a revista inglesa The Economist não teve dó dos políticos brasileiros na edição desta semana. "Parlamento ou chiqueiro?", pergunta de saída o título do artigo que abre a seção Américas. Abaixo dele, a explicação: "Uma campanha fracassada para limpar uma legislatura corrompida". Além da acusação forte, o título em inglês esconde um certo jogo de palavras, visto que a expressão "pork-barrel" (literalmente, um barril de carne de porco) é o nome que se dá na gíria política aos trens da alegria, os projetos destinados a providenciar bons empregos e salários pagos por dinheiro público. Depois de relatar alguns hábitos do Congresso brasileiro e a batalha para se eleger o novo presidente da Câmara, o texto termina com a constatação de que "a tarefa mais difícil é proteger a democracia brasileira dela mesma". Diz o texto também que "a história julgará se o petista vencedor da disputa (Arlindo Chinaglia) conseguirá recuperar a reputação da instituição, que está no fundo do poço". A revista ironiza a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uma reforma política: "É como pedir aos perus que votem a favor do Natal." A seguir, afirma que "é preciso um presidente mais determinado do que Lula para pilotar medidas impopulares junto a uma legislatura na qual as leis são aprovadas ou abolidas a partir de caprichos de interesses pessoais, claques regionais ou uma procura voraz de leis corporativas e outros benefícios". Parte do problema, prossegue o texto, "é a fragmentação da política brasileira", que tem "não menos que 21 partidos políticos representados numa Câmara de 513 cadeiras". No entanto, "apenas 7 deles têm uma presença nacional, resumindo-se os demais a bandeiras de conveniência". Outro lembrete da revista aos leitores - em sua maioria empresários, intelectuais e pessoas com boa informação, de todo o planeta - é que um quinto dos políticos mudaram de partido, na legislatura passada, "quase sempre em troca de favores, alguns dos quais tendo feito isso meia dúzia de vezes". E arremata: "A dificuldade de reunir uma maioria atolou o governo Lula numa sucessão de escândalos". Depois de recordar esses episódios, que derrubaram líderes como o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, a revista assinala que o novo presidente da Câmara "é íntimo de José Dirceu, que espera convencer o Congresso a perdoá-lo e restaurar seus direitos políticos".

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