Reconciliação ainda está fora de relatório final do colegiado

A última diligência externa aconteceu na terça-feira, na Base Naval de Ilha das Flores, no município de São Gonçalo, no Rio

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 00h58

A Comissão Nacional da Verdade entrou na reta final de seus trabalhos. A última diligência externa aconteceu na terça-feira, na Base Naval de Ilha das Flores, no município de São Gonçalo, no Rio.

Ela encerrou um ciclo de visitas a sete bases militares, onde, segundo informações coletadas pela comissão, funcionaram centros de tortura nos anos da ditadura. A base da Ilha das Flores abrigou cerca de 200 presos políticos entre 1969 e 1971. Os relatos de torturas entre eles são comuns.

Segundo o coordenador da Comissão, o advogado Pedro Dallari, as visitas serviram para “fazer um mapa do terror”. Todo o material coletado nas sete bases militares ocupará um lugar de destaque no relatório final, que será entregue à presidente Dilma Rousseff, no dia 10 de dezembro.

As audiências públicas, para ouvir vítimas e pessoas acusadas de terem cometido graves violações de direitos humanos no período, também já foram encerradas. A última delas, no dia 13, foi realizada no Recife, com a participação da Comissão da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, de Pernambuco. Aquela foi a primeira comissão de caráter estadual a ser criada por lei em todo o País, ainda durante o mandato do governador Eduardo Campos, que era filiado ao PSB.

A partir de agora todas as atenções dos seis integrantes da comissão estão concentradas na produção do relatório final. Segundo Dallari, a principal recomendação dada ao grupo é para que os textos se atenham principalmente a fatos, sem se preocupar com grandes análises. “O que nós buscamos é um quadro sólido de fatos”, diz o coordenador.

De acordo com a lei que criou a comissão, em 2011, ela deveria ter três preocupações em seus trabalhos: a reconstituição da verdade, a memória sobre os fatos ocorridos na ditadura e, por fim, a reconciliação.

Segundo Dallari, os dois primeiros estão praticamente garantidos. De um lado, a garimpagem de novas informações sobre o período vai ajudar na reconstituição dos fatos de maneira mais precisa; de outro, a ampla divulgação dada aos trabalhos da comissão pela mídia já teria sido um passo importante para a memória.

O terceiro passo do tripé, porém, ainda não está claro. O que a comissão deseja é que as Forças Armadas reconheçam o protagonismo que tiveram naquele período, numa espécie de autocrítica. Segundo Dallari, seria um passo essencial para a reconciliação. “Ainda há tempo para que isso ocorra. Vamos tentar até o último momento”, diz.

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