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Recomendação de manual de jato teria sido ignorada

Suspeita é de que piloto teria ignorado orientação explícita do fabricante

Eliane Catanhêde, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2015 | 00h30

A literatura de acidentes aeronáuticos aponta dois momentos críticos e desencadeadores de tragédias: as decolagens e as aterrissagens. 

Nos procedimentos de pouso e arremetida, quase sempre considerados tensos por qualquer piloto, Marcos Martins – que comandava o jatinho que caiu em Santos, em agosto passado, provocando a morte do ex-governador Eduardo Campos – provavelmente desconsiderou uma recomendação explícita do manual do fabricante da aeronave: no Cessna Citation, como era o caso, os flaps (que são uma espécie de extensão das asas e são usados para frear o avião) não podem ser recolhidos numa velocidade acima de 370 km/h. O risco é o avião emborcar, como se freado muito rápida e fortemente.

Conforme relatado ao Estado por um alto oficial que tem acesso direto aos investigadores e às investigações, o piloto pode ter entrado em estado de “desorientação espacial” justamente aí, nesse momento. 

Desnorteado, voando às cegas, com a sensação de estar “solto” no ar, ele deve ter acelerado para tentar subir, supostamente para ganhar altitude e se recuperar, sem perceber que, na verdade, estava inclinado para baixo, não para cima. Uma forte possibilidade é que o avião tenha caído de dorso, ou seja, de ponta cabeça. As únicas imagens dos últimos segundos do voo foram feitas de um prédio próximo ao local do acidente, em condições bastante precárias. 

Relatório. O primeiro relatório do Cenipa terá recomendações de segurança para que os mesmos erros não se repitam e causem novos acidentes. Deverá ser anunciado no início de fevereiro, já depois da troca do comando da Aeronáutica, do brigadeiro Juniti Saito para seu sucessor, o também brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato. 

Mais adiante, será também divulgado um relatório detalhado com todos os dados do voo e todas as conclusões sobre as causas da queda. O objetivo das investigações aeronáuticas não é punir ou processar pessoas, órgãos ou empresas, mas sim detectar erros e evitar que se repitam. 

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