Reclamação de tucanos contra PF em MT é bobagem, diz juiz

O juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, classificou de `pura bobagem´ a nota e as declarações de líderes tucanos que condenaram a invasão pela Polícia Federal do diretório regional do PSDB, o escritório do ex-governador Dante de Oliveira e a casa do membro da executiva regional do partido, Paulo Ronan, em Cuiabá. "A decisão fala por si; quem discorda de decisão judicial que recorra à Justiça", afirmou o juiz. "Discurso não reforma decisão judicial". O juiz acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou à PF na quinta-feira busca e apreensão de computadores e documentos que comprovariam a ligação dos tucanos com o bicheiro preso João Arcanjo Ribeiro e o crime organizado em Mato Grosso.Ex-filiado do Partido dos Trabalhadores (PT), o juiz afirmou não existir qualquer irregularidade em ter pertencido a um determinado partido político antes de assumir a magistratura para tomar suas decisões jurídicas. "A verdade é que ele (senador Antero Paes de Barros) tem de discutir os fatos que estão sendo apurados", alfinetou. Ele citou o caso dos ministros Nelson Jobim, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Edson Vidigal, entre outros, que pertenceram a partidos, porém em suas decisões técnicas e jurídicas são imparciais e se manifestam apenas nos autos do processo. "Político sempre quer fazer política", comparou o juiz, que nega ter simpatia por qualquer partido. Um laudo pericial da PF aponta que o PSDB movimentou 87 cheques na eleição de 2002 na empresa de Vip Factoring - sociedade mercantil que comprava cheques por valores mais baixos que os de face -, de propriedade do bicheiro, totalizando R$ 240.418,58. As informações constam num computador apreendido na empresa.As lideranças tucanas de MT devem responder inquérito para apurar a prática de crime contra o sistema financeiro e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai investigar se houve crime eleitoral. "A Justiça Federal não observa prazos, não observa calendário de eleições; quem trata de calendário é a Justiça Eleitoral", disse Julier, rechaçando a acusação de que a decisão ocorreu em período eleitoral. (FIM)Na última terça-feira, convocado pela segunda vez, o presidente regional do PSDB, ex-governador Dante de Oliveira, prestou esclarecimento na Justiça Federal no processo da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Irritado com repórteres, Dante de Oliveira disse que foi arrolado como testemunha de defesa do deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA). Jader foi processado por articular a aprovação do projeto Usimar, onde teria desviado cerca de R$ 40 milhões dos cofres públicos. Dante negou que tenha vínculo político ou pessoal com Jader.

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