Recesso não esfriou pressão política sobre Renan

Presidente do Senado dificilmente terá apoio se PF provar que ele mentiu

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O recesso parlamentar não amenizou as pressões políticas contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Conselho de Ética por suspeita de quebra de decoro parlamentar. É consenso na Casa que seu futuro será ditado pelo laudo da perícia que a Polícia Federal faz nos documentos que apresentou para justificar renda de R$ 1,9 milhão.Para senadores, Renan dificilmente obterá apoio para manter o mandato se o laudo provar que cometeu perjúrio e que não são reais as operações de compra e venda de gado de onde afirma ter tirado o dinheiro para custear despesas com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. A suspeita é que ele tenha repassado esses gastos à empreiteira Mendes Júnior."Entre o parlamentar, que é passageiro, e a instituição, que é imprescindível, obviamente temos de ficar com a instituição", diz Álvaro Dias (PSDB-PR), referindo-se a eventual impasse entre o mandato e os estragos à imagem do Senado. Demóstenes Torres (DEM-GO) lembra que a acusação deixa pouco espaço para manobrar em favor de Renan. A idéia de renunciar à presidência do Senado está ultrapassada. "É uma saída que está absolutamente fora do tempo", alega Sérgio Guerra (PSDB-PE). Um dos relatores do caso, Almeida Lima (PMDB-SE) também descarta a hipótese. "Se aceitasse acordo dessa natureza, ele estaria dando uma prova de culpa." Estréia hoje no Senado Gim Argello (PTB-DF), que já é alvo de dois pedidos de cassação. A denúncia mais recente é a que o liga ao esquema de desvio de verba do Banco Regional de Brasília. Ele disse ao Estado que não prepara estratégia de defesa "porque quem não deve não teme".

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