Receita confirma investigações sobre a Lavicen

O delegado da Receita Federal de Londrina (PR), Sérgio Gomes Nunes, confirmou hoje que já foram iniciadas as investigações sobre a Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa acusada pelo Ministério Público de São Paulo e pela CPI do Tribunal de Contas do Município (TCM) de servir de fachada para o desvio de verbas destinadas às obras de construção do túnel Ayrton Senna.Nunes afirmou que não há nenhuma informação sobre o prazo de conclusão, a natureza das investigações e nem sobre seus resultados. "Trata-se de informações sigilosas, que só podem ser divulgadas por determinação judicial", afirmou ele.A Lavicen, com sede em Abatiá, cidade que se encontra dentro da jurisdição da delegacia da Receita Federal de Londrina, foi contratada pela construtora CBPO para trabalhar nas obras do túnel Ayrton Senna. No curso das investigações sobre superfaturamento e desvio de verbas nas obras, o Ministério Público descobriria que a Lavicen não possui máquinas e equipamentos para realizar os serviços e tratava-se de uma empresa fantasma.Ela foi montada com documentos e assinaturas falsificadas, em nome de dois "laranjas": Joel Gonçalves Pereira, de Curitiba, e o sapateiro Lavino Kill, de Abatiá, que sequer sabiam da existência da empresa. O procurador da Lavicen, o contador Francisco Sacerdote, de Curitiba, tem uma condenação e sete inquéritos em curso na Justiça, por estelionato. O promotor da Cidadania Luiz Sales do Nascimento informou hoje que já recebeu as planilhas e documentos da CBPO, que confirmam a contratação da Lavicen em várias obras públicas no Estado de São Paulo. A Lavicen atuou entre 95 e 98 nas obras da Rodovia Carvalho Pinto, entre 95 e 96 no túnel da Ayrton Senna, entre 96 e 98 no Córrego Cambuçu de Baixo. Entre 98 e 99, a empresa atuou, em Campinas, nas obras do Ribeirão Anhumas e em serviços prestados pela CPBO para a empresa municipal de saneamento, a Sanasa.A construtora Constran, intimada pelo Ministério Público a relacionar os contratos realizados com a Lavicen para a execução de trabalhos em obras públicas, desmentiu oficialmente qualquer relacionamento comercial com a empresa fantasma. ?Já encontramos, nos documentos da Prefeitura de São Paulo, uma planilha que prova a contratação da Lavicen pela Constran para realizar serviços em obras do metrô, entre 98 e 99", afirmou Nascimento.Em apenas uma das planilhas que estão sob análise pelo Ministério Público, relativa ao mês de maio de 96 e às obras do Ayrton Senna, a Lavicen recebeu mais de R$ 1,5 milhão. Sacerdote, o responsável pela Lavicen, já foi intimado várias vezes para depor. "Mas apenas agora recebemos notícias de seu advogado, informando seu endereço atual, para que possamos convocá-lo", afirmou o Nascimento.A CBPO, por intermédio de sua assessoria de imprensa, reafirmou hoje os termos de sua nota ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na edição de ontem, e disse que a partir de agora "só vai se pronunciar em juízo, uma vez que a questão envolve muitos detalhes técnicos"."A Lavicen (foi) uma das diversas locadoras utilizadas por este consórcio em suas obras, como normalmente ocorre em quaisquer obras de grande porte. (...) Os pagamentos a ela (Lavicen) efetuados representam menos de 1% do valor das obras, não havendo nenhuma relação entre esses pagamentos e o contrato com a Prefeitura", afirma a nota da empresa.

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