Recadastramento mobiliza beneficiários do programa

Favorecidos pelo Bolsa-Família lotam salas de espera para garantir verba

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2009 | 00h00

O Ministério do Desenvolvimento Social está convocando 2,8 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família para atualização de cadastro. O objetivo é verificar se houve mudança na faixa de renda dos que já recebem o valor e checar se os filhos mantêm frequência escolar em dia. Em São Paulo, sete postos fazem o serviço. Até o dia 22 de julho, apenas o posto de Santo Amaro, na zona sul, havia atendido 6.928 famílias.A sala de espera permanece lotada das 9 às 18 horas. Elizete Maria Barbosa, dotada de boa dose de paciência, passou por lá na tarde de sexta-feira com a filha, Daiane, de 11 anos. O olhar enfadonho das duas durante o trâmite foi apenas pontual. Depois que a papelada foi entregue e analisada por um digitador contratado pela prefeitura, mãe e filha demonstravam um semblante de dever cumprido. A menina Daiane, em férias escolares, queria aproveitar o resto do dia para brincar, claro, mas Elizete comemorava a manutenção do benefício. Aos 36 anos, trabalhando em casa de família, ela recebe salário mínimo. Complementa a renda com os R$ 122 por mês do Bolsa-Família. Além de Daiane, sustenta outros dois filhos e diz gastar o dinheiro com remédios e material escolar. "Alivia né?", afirmou. Sobre o recadastramento, foi sucinta. "É bom", anotou.Elizete diz que demorou tanto em seu atendimento - pelo menos 50 minutos - porque tentava incluir o pai, aposentado, na lista de beneficiários. Estava convicta de que iria conseguir. Na próxima visita ao posto, levaria os documentos dele para análise.Ao lado de Elizete, Francineide da Silva Souza, 30 anos, passou o tempo todo com o filho de quatro anos no colo. O garoto fazia cara feia, já que a posição da mãe, sentada na cadeira por tanto tempo, não era das mais confortáveis. Francineide elogiou o atendimento. "É ótimo. Foram todos muito atenciosos." E viu " necessidade" no recadastramento. "A gente sabe que tem gente que não precisa e pega o dinheiro do Bolsa", afirmou.A estrutura do posto de recadastramento de Santo Amaro conta com 20 digitadores e cinco atendentes para triagem. Os beneficiários chegam até ele por meio de uma carta, enviada pela prefeitura a cada família atendida, com uma lista de documentos necessários para comprovar a necessidade de manter o benefício.Nos Centros de Referência de Assistência Social da prefeitura, a demanda pelo Bolsa-Família só cresce. Nos bairros mais pobres, cerca de 90% das consultas têm como objetivo receber o benefício federal.

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