Rebelião se alastra pelo País; 20 saem em SP

Auditores em cargo de chefia pedem demissão em Minas, no Ceará e Rio Grande do Sul

David Friedlander, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

A crise na Receita Federal provocou uma rebelião em massa na direção do órgão em São Paulo. Na tarde de ontem, três superintendentes adjuntos, doze delegados, dois inspetores de alfândega e três chefes de departamento pediram exoneração de seus cargos ao secretário Otacílio Cartaxo. O movimento foi mais forte em São Paulo, mas auditores em postos de chefia também entregaram os cargos em outros Estados. Em Minas Gerais, pediram exoneração dois superintendentes adjuntos, a delegada da Receita e a inspetora chefe da alfândega em Belo Horizonte. No Ceará, pelo menos oito auditores em cargos de chefia pediram demissão. No Rio Grande do Sul, o mesmo número. Não existe uma contagem oficial de pedidos de exoneração.Em São Paulo, pediram demissão os titulares dos cargos mais importantes do órgão, como os delegados de Campinas, Santos, Ribeirão Preto, Bauru, São José dos Campos e São José do Rio Preto e o inspetor de Viracopos, maior terminal de cargas aéreo do País. Entre os delegados demissionários estão, também, as titulares de dois dos postos mais emblemáticos da gestão da ex-secretária Lina Vieira: Clair Maria Hickmann, da Delegacia de Instituições Financeiras, e Mônica Sionara, da Delegacia de Assuntos Internacionais. Clair foi encarregada por Lina de apertar a fiscalização sobre as instituições financeiras. Mônica é chefe da equipe que aplicou uma autuação bilionária no grupo Santander, antes da queda de Lina.Os auditores estão deixando o comando do Fisco em protesto contra o que julgam ser uma intervenção política na Receita. Acham que a demissão de Lina e os movimentos para remover o subsecretário de Fiscalização, Henrique Freitas, que pediu exoneração anteontem, são medidas para controlar o órgão.O governo, de acordo com essa visão, teria ficado incomodado não apenas com a polêmica envolvendo a Petrobrás, mas com a fiscalização nos negócios e pessoas da família Sarney e na autuação de grandes empresas, especialmente a Ford, punida na Bahia. "O secretário diz que vai trocar as pessoas, mas as diretrizes continuam as mesas. É só discurso. A troca ocorre para mudar a orientação", diz um dos superintendentes que pediu exoneração na segunda-feira.O grupo da ex-secretária começou a desembarcar da Receita depois de uma reunião na casa de Otacílio Cartaxo, na última quinta-feira à noite. Cartaxo convidou para conversar: Henrique Freitas, Marcelo Lettieri, coordenador-geral de Estudos e Análise, Alberto Amadei, secretário particular de Lina, e Iraneth Weiler, sua ex-chefe de gabinete.No encontro, Cartaxo disse que Amadei seria exonerado e que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, queria Freitas fora do comando da fiscalização. A debandada começou dois dias depois desse encontro.

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